A NASA nunca fabricou o seu travesseiro; entenda o detalhe que transformou uma espuma na maior febre do Brasil

Produto tem origem em tecnologia aeroespacial, mas nunca foi usado por astronautas

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Natália P. Martins

Redatora
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Natália P. Martins

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Durante anos, o “travesseiro da NASA foi vendido como um produto diretamente ligado à tecnologia espacial — e até associado ao uso por astronautas. Mas a realidade é diferente: a agência norte-americana nunca fabricou os travesseiros, e muito menos utilizou esse tipo de item em missões espaciais.

Ainda assim, há verdade na história. A empuma viscoelástica, material que deu origem ao produto, surgiu a partir de pesquisas conduzidas para a indústria aeroespacial nos anos 1960.

Espuma viscoelástica foi desenvolvida em projeto da NASA nos anos 1960

O desenvolvimento da espuma viscoelástica começou em 1966, quando engenheiros contratados pela NASA buscavam soluções para aumentar a segurança dos astronautas durante o lançamento e possíveis impactos.

Entre os responsáveis estavam os engenheiros Charles Yost e Chiharu Kubokawa, que criaram um material de poliuretano com alta capacidade de absorção de energia. A espuma era capaz de se moldar ao corpo e distribuir o peso de forma uniforme, reduzindo o risco de lesões.

Apesar do potencial, o material nunca foi utilizado diretamente em missões tripuladas — em parte por limitações práticas, como o odor e o custo de produção na época.

Tecnologia foi liberada e passou a ser aplicada em produtos comerciais

Depois de ser reprovada para uso aeroespacial, a patente da invenção foi liberada, e empresas passaram a explorar o potencial da “espuma de retorno lento”.

O material ganhou espaço inicialmente em áreas médicas e esportivas. Um dos exemplos mais conhecidos foi seu uso em equipamentos do Dallas Cowboys, da NFL, onde ajudava a absorver impactos em capacetes.

Estratégia de marketing impulsionou popularização no Brasil

No Brasil, o sucesso do “travesseiro da NASA” aconteceu por conta da estratégia de comunicação. A fabricante dos travesseiros originais ajudou a popularizar o produto ao associar a imagem deles ao astronauta Marcos Pontes, o primeiro brasileiro a viajar ao espaço

Travesseiro  Marcbrayn Viscoelastico Fabricante utiliza foto de astronauta brasileiro na divulgação dos travesseiros. Foto: Reprodução/Marcbrayn

A campanha reforçava a ideia de conexão com a agência espacial, embora o próprio nome “N.A.S.A.” utilizado nas embalagens significasse, na verdade, “Nobre e Autêntico Suporte Anatômico”.

Embora o marketing tenha criado uma associação direta com o espaço, a base científica do produto é real. A espuma viscoelástica de fato surgiu de pesquisas ligadas à exploração espacial — e, por isso, é considerada uma tecnologia derivada desse setor.

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