Durante anos, o “travesseiro da NASA” foi vendido como um produto diretamente ligado à tecnologia espacial — e até associado ao uso por astronautas. Mas a realidade é diferente: a agência norte-americana nunca fabricou os travesseiros, e muito menos utilizou esse tipo de item em missões espaciais.
Ainda assim, há verdade na história. A empuma viscoelástica, material que deu origem ao produto, surgiu a partir de pesquisas conduzidas para a indústria aeroespacial nos anos 1960.
Espuma viscoelástica foi desenvolvida em projeto da NASA nos anos 1960
O desenvolvimento da espuma viscoelástica começou em 1966, quando engenheiros contratados pela NASA buscavam soluções para aumentar a segurança dos astronautas durante o lançamento e possíveis impactos.
Entre os responsáveis estavam os engenheiros Charles Yost e Chiharu Kubokawa, que criaram um material de poliuretano com alta capacidade de absorção de energia. A espuma era capaz de se moldar ao corpo e distribuir o peso de forma uniforme, reduzindo o risco de lesões.
Apesar do potencial, o material nunca foi utilizado diretamente em missões tripuladas — em parte por limitações práticas, como o odor e o custo de produção na época.
Tecnologia foi liberada e passou a ser aplicada em produtos comerciais
Depois de ser reprovada para uso aeroespacial, a patente da invenção foi liberada, e empresas passaram a explorar o potencial da “espuma de retorno lento”.
O material ganhou espaço inicialmente em áreas médicas e esportivas. Um dos exemplos mais conhecidos foi seu uso em equipamentos do Dallas Cowboys, da NFL, onde ajudava a absorver impactos em capacetes.
Estratégia de marketing impulsionou popularização no Brasil
No Brasil, o sucesso do “travesseiro da NASA” aconteceu por conta da estratégia de comunicação. A fabricante dos travesseiros originais ajudou a popularizar o produto ao associar a imagem deles ao astronauta Marcos Pontes, o primeiro brasileiro a viajar ao espaço.
Fabricante utiliza foto de astronauta brasileiro na divulgação dos travesseiros. Foto: Reprodução/Marcbrayn
A campanha reforçava a ideia de conexão com a agência espacial, embora o próprio nome “N.A.S.A.” utilizado nas embalagens significasse, na verdade, “Nobre e Autêntico Suporte Anatômico”.
Embora o marketing tenha criado uma associação direta com o espaço, a base científica do produto é real. A espuma viscoelástica de fato surgiu de pesquisas ligadas à exploração espacial — e, por isso, é considerada uma tecnologia derivada desse setor.
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