Imagine que o mundo ao seu redor não é feito apenas de formas e sons isolados, mas de uma mistura sensorial constante: o toque de uma campainha projeta um feixe laranja no ar, o sabor de uma fruta tem formato pontiagudo e o número 4 é, invariavelmente, da cor vermelha.
Essa não é uma descrição poética ou metafórica, mas a realidade cotidiana de quem vive com sinestesia, uma condição neurológica onde os sentidos se fundem de maneira fascinante.
No entanto, ela pode ter um grau menor. A sinestesia projetiva acontece "no externo", ou seja, a pessoa literalmente vê a cor ao escutar uma nota musical ou alguma outra conjunção sensória.
A sinestesia associativa é mental, de modo que as pessoas sentem (involuntariamente) a conexão em suas cabeças. Por exemplo, sempre que uma pessoa pensa no número 4, pensa automaticamente na cor vermelha ou até mesmo palavras podem remeter a cores (especialmente matérias escolares, como geografia ser verde ou laranja).
Quando os sentidos se abraçam
A sinestesia é uma condição neurológica em que a estimulação de um sentido (como a audição) desencadeia automaticamente uma experiência em um segundo sentido (como a visão).
Associar letras ou números a cores específicas, é sinestesia grafema-cor. Esta é uma das formas mais comuns e estudadas pela neurociência. Diferente de uma simples associação de memória, como lembrar do mar ao ver o azul, a sinestesia é involuntária e consistente ao longo da vida.
Estudos indicam que isso ocorre devido a um "cruzamento" de fiações no cérebro: as áreas que processam formas (letras e números) estão localizadas logo ao lado das áreas que processam cores, e em cérebros sinestetas, existe uma comunicação extra entre esses setores.
Estima-se que cerca de 4% da população mundial apresente algum tipo de sinestesia. Embora possa parecer confuso para quem não a possui, para o sinesteta essa é uma ferramenta poderosa de memória e criatividade. Muitos artistas, como Lady Gaga e Pharrell Williams, já declararam usar suas percepções sinestésicas para compor músicas baseadas em cores, transformando uma variação neurológica em uma forma única de interpretar a realidade.
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