O Poco M8 Pro 5G chega ao mercado brasileiro naquela posição entre o custo-benefício e a promessa de algo além. É um lugar disputado, com diversos Android brigando ali (inclusive, a maioria chineses). Para se diferenciar, ele não é um topo de linha, mas também não quer ser tratado como apenas mais um intermediário genérico. Na prática, ele se mostra um aparelho… um pouco pró, com o perdão do trocadilho. Aliás, ele é basicamente uma versão do Redmi Note 15 Pro+, mas com o tempero característico da Poco: foco em desempenho e preço agressivo.
Quase premium de um lado…
O design, naturalmente, é a primeira coisa que chama a atenção. Mesmo sendo construído em plástico, o acabamento metálico em dois tons dá uma sensação visual mais sofisticada do que a faixa de preço sugere. Ele é confortável na mão, bem distribuído em peso e passa uma sensação de resistência acima da média. A certificação IP69K, ou IP68 na Europa, adiciona um nível importante de proteção contra água e poeira. Não é algo comum nessa categoria e, para quem usa o celular de forma intensa no dia a dia, faz diferença real. Por fim, a disposição das câmeras, que parece um cooktop de quatro bocas, também agrada.
A tela é facilmente o grande destaque. São 6,83 polegadas em um painel OLED curvo com resolução alta, taxa de atualização de 120 Hz, suporte a HDR10+ e brilho que ultrapassa 1400 nits, podendo chegar a picos de até 3000 nits em áreas específicas. Em uso prático, isso significa ótima visibilidade sob sol forte e uma experiência de consumo de mídia que flerta com o nível de aparelhos premium. Cores vibrantes, bom contraste e fluidez constante tornam as redes sociais, vídeos e games muito agradáveis.
No desempenho, o Snapdragon 7s Gen 4 cumpre bem o papel. Ele não é um chip de elite, mas está longe de decepcionar. Tarefas cotidianas rodam com extrema fluidez, alternância entre aplicativos acontece sem engasgos e até jogos mais pesados, como Genshin Impact, mantêm desempenho estável em configurações ajustadas. O mais interessante é que o aparelho consegue fazer isso sem superaquecimento preocupante. Ele esquenta sob carga intensa, como qualquer outro smartphone, mas mantém controle térmico eficiente.
Amostra de imagem feita com o Poco M8 Pro.
Pouco premium de outro
O sistema é o HyperOS 2.0 baseado no Android 15, com promessa de atualização futura para o HyperOS 3.0. A Poco promete quatro grandes atualizações de sistema e seis anos de pacotes de segurança, algo que começa a se tornar padrão desejável mesmo fora dos topos de linha. O problema está na experiência inicial. O aparelho vem com anúncios no sistema e com bloatware. Para quem não está familiarizado com o termo, bloatware são aplicativos pré-instalados que o usuário não pediu e muitas vezes não utiliza. Alguns podem ser removidos manualmente, outros apenas desativados. Não é um impeditivo definitivo, mas é um incômodo que exige paciência na configuração inicial.
A bateria de 6500 mAh é muito boa. Em uso ativo, ultrapassa 16 horas com tranquilidade. Isso significa um dia inteiro pesado sem precisar correr para a tomada e, em muitos casos, até dois dias de uso moderado. Quando chega a hora de carregar, o suporte a 100W faz diferença concreta. O aparelho alcança cerca de 83% em 30 minutos e chega a 100% em aproximadamente 47 minutos. Esse recurso muda a relação com o carregador, já que você só precisa parar para tomar um café e já resolve grande parte da carga.
No áudio, os alto-falantes estéreo entregam volume alto, som equilibrado e suporte a Dolby Atmos. Não são os melhores, mas também estão longe dos piores. Para vídeos, games e até músicas ocasionais sem fone, a experiência é satisfatória e acima da média da categoria.
O conjunto de câmeras é competente, mas não revolucionário. A principal de 50 MP registra fotos muito boas em ambientes iluminados, com bom alcance dinâmico e cores equilibradas. À noite, mantém qualidade consistente dentro das limitações do segmento. O zoom 2x é utilizável, embora dependa bastante de boa iluminação. Já a ultrawide de 8 MP cumpre o papel, mas perde nitidez e detalhes com facilidade. A câmera frontal de 32 MP entrega selfies medianas, suficientes para redes sociais, mas sem impressionar. Em vídeo, a lente principal grava em 4K com estabilização decente, enquanto a ultrawide apresenta desempenho mais fraco.
8.2
Prós
- Tela excelente
- Bateria com ótima capacidade e recarga rápida
- Áudio acima da média
- Câmera competente
- Preço atrativo
Contras
- Bloatware e anúncios
- Ultrawide limitada
Veredicto
No fim das contas, o Poco M8 Pro 5G é um intermediário sólido e honesto. Ele não tenta ser o melhor em tudo, mas escolhe muito bem onde investir. Tela e bateria são seus maiores trunfos. O desempenho acompanha essa proposta e o design ajuda a elevar a percepção de valor. Os anúncios no sistema e o excesso de aplicativos pré-instalados são o principal ponto negativo, mas podem ser parcialmente contornados com ajustes.
Por cerca de R$ 2200 no cenário atual, ele vale cada centavo. Se você tolera ou está disposto a limpar o bloatware na primeira semana de uso, encontrará aqui uma das melhores compras da categoria. Não é perfeito, mas entrega exatamente o que promete, e às vezes isso é tudo que um smartphone precisa fazer.
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