Pesquisadores americanos desenvolveram um dispositivo para desvendar os maiores segredos por trás do ‘pum’ humano

Tecnologia mede gases intestinais em tempo real e revela dados sobre digestão, microbiota e padrões “normais” do corpo humano

Dispositivo Medidor De Pum
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Laura Vieira

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Laura Vieira

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Jornalista recém-formada, com experiência no Tribunal de Justiça, Alerj, jornal O Dia e como redatora em sites sobre pets e gastronomia. Gosta de ler, assistir filmes e séries e já passou boas horas construindo casas no The Sims.

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A ciência está sempre se reinventando para responder perguntas improváveis, mas desta vez, ela se superou e resolveu encarar um tema constrangedor que constantemente é evitado nas conversas do dia a dia: o pum. Pesquisadores da Universidade de Maryland, nos Estados Unidos, criaram uma roupa íntima inteligente capaz de monitorar, em tempo real, a produção de gases intestinais. O estudo, publicado na revista Biosensors and Bioelectronics: X, apresenta o primeiro dispositivo vestível desenvolvido para medir a os gases humanos de forma contínua, com o objetivo de entender melhor o funcionamento da microbiota intestinal.

A ideia pode soar curiosa ou até nojenta para algumas pessoas, mas a proposta é séria: ao rastrear o hidrogênio presente nos gases, os cientistas conseguiram revelar, com mais precisão, como o organismo digere e processa alimentos em diferentes momentos do dia. E, ao que tudo indica, esse assunto “evitado” pode ser muito mais revelador do que imaginávamos. 

Muito além do constrangimento: entenda o que o pum revela sobre o seu corpo

Estudar gases intestinais sempre foi desafio para os cientistas. Afinal, os métodos disponíveis eram limitados: ou dependiam de relatos dos próprios pacientes que nem sempre confiáveis ou exigiam exames invasivos e pouco práticos. Com isso, não era tão simples definir o que é considerado “normal” quando se trata de flatulência.

A nova tecnologia desenvolvida pelos pesquisadores de Maryland tenta resolver justamente esse problema. O dispositivo, pequeno e discreto, se acopla à roupa íntima e utiliza sensores eletroquímicos para detectar o hidrogênio liberado pelos gases. Como esse composto é produzido exclusivamente pelas bactérias intestinais durante a fermentação de alimentos, ele funciona como um marcador direto da atividade do microbioma.

E os primeiros resultados já mudam algumas certezas. Em testes com voluntários, os pesquisadores descobriram que adultos saudáveis liberam gases, em média, 32 vezes por dia, cerca do dobro do que a medicina costumava indicar. A variação, no entanto, é enorme: algumas pessoas registraram apenas quatro episódios diários, enquanto outras chegaram a quase 60.

Um sensor no lugar mais improvável possível pode mudar tudo o que sabemos sobre digestão

O grande diferencial do dispositivo está na capacidade de acompanhar o metabolismo intestinal ao longo do tempo. Diferente de exames pontuais, a roupa inteligente permite observar a cada hora como o microbioma reage a diferentes alimentos, dietas e rotinas.

Em um dos testes, por exemplo, os cientistas conseguiram detectar mudanças significativas na atividade intestinal após o consumo de insulina. O aumento na produção de hidrogênio foi identificado com alta precisão, mostrando que o dispositivo pode funcionar como uma espécie de “monitor contínuo” da digestão, algo bem similar com o que acontece aos medidores de glicose usados por pessoas com diabetes. Além disso, o equipamento se mostrou viável no dia a dia: os participantes utilizaram a tecnologia por várias horas confortavelmente.

Os pesquisadores acreditam que essa abordagem pode abrir caminho para uma nova geração de estudos sobre o microbioma, ajudando a entender melhor a relação entre alimentação, saúde intestinal e doenças metabólicas. Também pode permitir diagnósticos mais precisos para quem sofre com desconfortos digestivos, intolerâncias alimentares ou distúrbios intestinais.


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