Por que Elon Musk está processando Sam Altman? Por causa de uma rixa que vai muito além dos negócios

Musk acusa a OpenAI e Altman de violarem seu compromisso de serem uma organização sem fins lucrativos

Elon Musk e Sam Altman
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Victor Bianchin

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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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Não é novidade que Elon Musk e Sam Altman se odeiam. O que é novo é que a rivalidade está prestes a chegar aos tribunais. Na segunda-feira (27/4), ocorreu a seleção do júri que decidirá se, como diz Musk, a OpenAI violou seu acordo fundacional de ser uma organização sem fins lucrativos. O caso promete ser uma verdadeira novela em que anos de conflito pessoal virão à tona.

Em 2024, Elon Musk processou Sam Altman e a OpenAI por terem rompido o acordo fundacional da empresa, que dizia que “a OpenAI é uma empresa de pesquisa em inteligência artificial sem fins lucrativos”. O CEO da SpaceX, que foi um dos fundadores da OpenAI, afirma que foi enganado e que, assim que conseguiram seu dinheiro (38 milhões de dólares), “a narrativa mudou radicalmente e passaram a lucrar (...) aproveitando-se de sua preocupação humanitária”. Musk pede a destituição de Sam Altman e de seu presidente, Greg Brockman, assim como 134 bilhões de dólares que iriam para o braço sem fins lucrativos da OpenAI.

Segundo a OpenAI, Musk tinha conhecimento do plano de se tornar uma entidade com fins lucrativos, o que era um passo necessário para a empresa. A OpenAI diz que Musk está com ciúmes e “arrependido de ter se retirado” em 2018. Além disso, afirma que o dinheiro que Musk aportou não foi um investimento, mas uma doação, e não lhe dá nenhum direito de propriedade sobre a OpenAI, como relata o The Guardian.

A ruptura

A OpenAI foi fundada em 2015 e, pouco depois, em 2017, já ficou claro que, para desenvolver a tão sonhada AGI, seria necessário muito dinheiro, algo complicado de conseguir sendo uma empresa sem fins lucrativos. Nesse momento, foi cogitada a possibilidade de uma colaboração entre a OpenAI e a Tesla que solucionasse o problema de financiamento. Segundo a OpenAI, Musk queria controle total da empresa — e foi aí que tudo desandou.

Apesar de sua saída da empresa ter ocorrido em 2018, Musk só processou a OpenAI em 2024. Nesse período, a OpenAI lançou o ChatGPT e acabou firmando seu grande acordo com a Microsoft. Ao que tudo indica, isso foi o que acabou irritando Musk, que acusou a OpenAI de ter se tornado um braço da Microsoft. Seu objetivo era invalidar o acordo, embora muita coisa tenha mudado desde então.

Hoje, a OpenAI é a empresa privada mais valiosa do mundo, com investimentos de gigantes como NVIDIA, Amazon e SoftBank. Se Musk vencer, sua conquista não será anular o acordo com a Microsoft (agora menos importante), mas sim atrapalhar a planejada abertura de capital da companhia.

Uma rivalidade pessoal

Além das acusações oficiais, Elon Musk e Sam Altman têm uma rivalidade pessoal que vem se intensificando ao longo dos anos, com uma infinidade de farpas e acusações públicas. Musk já disse que Altman é um mentiroso e um golpista (costuma chamá-lo de “Scam Altman”) e que o ChatGPT é uma IA “woke”.

Altman não ficou para trás: já disse que Musk é um idiota e até o ridicularizou pelo Tesla que comprou e que nunca foi entregue, chegando a publicar e-mails pedindo o reembolso. No julgamento, espera-se que detalhes privados venham à tona, como o uso de cetamina por parte de Elon Musk, algo que, segundo a OpenAI, é relevante por retratar muito bem seu estado mental. Que comece o espetáculo.

Imagem | Village Global e Gage Skidmore, via Flickr

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


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