Greenpeace joga pedras de 2 toneladas no oceano e cria barreira de 116 km² com apoio de estrelas de Hollywood para proteger animais e barrar 37 mil horas de pesca predatória

Pedras foram lançadas para proteger animais marinhos da pesca de arrasto

Greenpeace
Sem comentários Facebook Twitter Flipboard E-mail
natalia-martins

Natália P. Martins

Redatora
natalia-martins

Natália P. Martins

Redatora

Uma organização ambiental lançou pedras de até duas toneladas no fundo do Mar do Norte para criar uma barreira contra a pesca de arrasto. A operação foi realizada pelo Greenpeace próximo à costa da Inglaterra, em uma área marinha protegida que abriga populações de toninhas-comuns.

Segundo a organização, os blocos de pedra formam obstáculos no leito oceânico que dificultam a passagem das redes utilizadas nesse tipo de pesca. A estrutura abrange aproximadamente 116 quilômetros quadrados e busca proteger os habitats e os animais que vivem na região.

Barreira de pedras tenta impedir a pesca de arrasto

A intervenção aconteceu na Área Marinha Protegida do Sul do Mar do Norte, criada para ajudar a conservar as toninhas-comuns (Phocoena phocoena). Esses pequenos cetáceos, parentes de golfinhos e botos, dependem da região para encontrar alimento.

Toninhas Toninhas são prejudicadas por pesca predatória. Imagem: Reprodução/Greenpeace

A pesca de arrasto pelo fundo utiliza redes pesadas que são puxadas pelo leito oceânico para capturar peixes e outros organismos. O método pode revolver e danificar habitats marinhos, além de reduzir a quantidade de presas disponíveis para as toninhas.

O ruído das embarcações e dos equipamentos também pode atrapalhar a capacidade desses animais de localizar alimento.

As pedras foram posicionadas no fundo do mar para funcionar como obstáculos físicos às redes. De acordo com o Greenpeace, a barreira impede a pesca de arrasto em uma área de 116 km², que a organização apelidou de “Parque Oceânico”.

Mais de 37 mil horas de pesca em uma área protegida

Segundo uma análise do Greenpeace baseada em informações da plataforma Global Fishing Watch, embarcações realizaram mais de 37,2 mil horas de pesca de arrasto na área em 2025. O número foi superior ao registrado em qualquer outra área marinha protegida em alto-mar do Reino Unido.

Dec9f2b1 Gp0suaujh Low Res With Credit Line 800px Foto: Andrew McConnell/Greenpeace

Atores de Hollywood apoiam a iniciativa

A operação também recebeu apoio de nomes conhecidos do cinema. Os atores Benedict Cumberbatch e Simon Pegg assinaram algumas das pedras utilizadas na barreira para demonstrar apoio à proteção dos oceanos.

Parlamentares britânicos também participaram da mobilização simbólica: entre eles está Kerry McCarthy, ex-ministra do Clima do Reino Unido, que defendeu medidas mais rigorosas contra a pesca industrial em áreas marinhas protegidas.

Pedra Benedict Ator britânico assinou uma das rochas lançadas no Mar do Norte. Foto: Instagram/@bencumberbatchbr

O Greenpeace informou que o navio Arctic Sunrise permanecerá na região para monitorar a atividade pesqueira. A embarcação também será usada para tentar desencorajar outras práticas de pesca industrial consideradas prejudiciais à população de toninhas.

A organização afirma que a barreira é uma resposta à falta de medidas suficientes para proteger a área. O objetivo é pressionar o governo britânico a restringir a pesca de arrasto nas zonas marinhas oficialmente destinadas à conservação da vida selvagem.

Imagem de capa: Andrew McConnell/Greenpeace

Inicio