Os EUA tentaram escapar da dominância chinesa em terras raras: a China acaba de lembrá-los de quem detém as melhores cartas

  • A China restringiu operações com empresas fundamentais para a estratégia dos EUA em relação a terras raras;

  • Os EUA estão investindo bilhões para construir uma cadeia de suprimentos alternativa, fora da esfera de influência de Pequim

Os EUA tentaram escapar da dominância chinesa em terras raras: a China acaba de lembrá-los de quem detém as melhores cartas
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Fabrício Mainenti

Redator

Há meses, os Estados Unidos tentam encontrar uma saída para sua dependência em uma das áreas onde a China exerce maior influência industrial: a de elementos de terras raras. Isso envolve mais do que apenas mineração; abrange processamento, produção de ímãs, licenciamento, listas de entidades restritas e uma cadeia de suprimentos que conecta os setores de defesa, automotivo, de semicondutores e de tecnologia avançada.

Eventos recentes servem como um lembrete contundente dessa realidade: Pequim tem visado empresas americanas envolvidas em esforços para criar uma cadeia de suprimentos alternativa.

As medidas

A ação mais recente da China ocorre em duas frentes. Primeiro, o Ministério do Comércio chinês incluiu dez empresas americanas em sua "lista de entidades", restringindo efetivamente as relações comerciais com elas. Entre as empresas afetadas estão a MP Materials — proprietária da mina Mountain Pass, na Califórnia — bem como a USA Rare Earth e a Aveox.

Em segundo lugar, o Ministério das Finanças da China anunciou restrições de compra que visam outras 46 empresas americanas do setor de defesa. Pequim apresentou a medida como uma resposta à inclusão "injustificada" de entidades chinesas na lista americana de "empresas militares chinesas" e como uma ação para salvaguardar sua "segurança e interesses nacionais".

O contexto imediato

Essa medida ocorre menos de duas semanas depois que o Pentágono reincluiu a Alibaba, a Baidu e a BYD em uma lista de empresas chinesas consideradas um risco à segurança nacional dos EUA, devido a supostos vínculos com o Exército de Libertação Popular. As empresas chinesas negaram essas conexões militares. Isso destaca um aspecto fundamental da situação: Pequim está posicionando sua resposta como uma contrapartida a decisões tomadas por Washington.

O plano de Washington

Os EUA começaram, de fato, a agir com intensidade incomum, segundo uma avaliação do CSIS. O think tank descreve uma estratégia de política industrial que combina mais de US$ 7,3 bilhões (cerca de R$ 37,5 bilhões) em capital, investimentos diretos, financiamento público e compromissos de compra para acelerar a mineração, o processamento e a fabricação de ímãs.

O Departamento de Defesa, por exemplo, concordou em adquirir uma participação de US$ 400 milhões (cerca de R$ 2 bilhões) na MP Materials e estabeleceu um preço mínimo de US$ 110 (cerca de R$ 565,2 milhões) por quilograma, válido por dez anos, para a produção de neodímio-praseodímio da empresa. Trata-se de um montante significativo, mas a situação também representa uma corrida contra os prazos industriais.

O desafio

O CSIS observou que as restrições impostas em abril de 2025 a terras raras pesadas e ímãs permanentes causaram rápidas perturbações nas cadeias de suprimentos industriais e de defesa dos aliados, expondo a fragilidade de um sistema que, à época, permanecia fortemente dependente de Pequim.

No entanto, o Financial Times relata uma interpretação cautelosa sobre a recente medida da China. Um executivo norte-americano radicado na China, sob condição de anonimato, descreveu a medida como "ponderada e simbólica", observando que empresas de setores sensíveis — como o de tecnologia de defesa — já enfrentam restrições severas de acesso a contratos do governo e das forças armadas chinesas.

As terras raras são importantes?

O ponto fundamental é que as terras raras não são curiosidades de laboratório nem meras notas de rodapé na guerra comercial; elas são muito mais essenciais ao nosso cotidiano do que aparentam. Esses 17 elementos são encontrados em componentes como ímãs, baterias, fósforos e catalisadores, utilizados posteriormente em setores que vão desde a saúde, transportes e geração de energia até o refino de petróleo e a eletrônica de consumo.

Em suma, não estamos falando apenas de minerais; falamos de componentes minúsculos que podem integrar uma vasta gama de dispositivos, inclusive equipamentos militares.

Imagens | Xataka com Nano Banana

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