Tendências do dia

China muda as regras da guerra pelas terras raras: em vez de proibir exportação, cria morosidade na tramitação alfandegária

EUA e China estão utilizando os minerais críticos para exercer pressão um sobre o outro

Terras raras
Sem comentários Facebook Twitter Flipboard E-mail
victor-bianchin

Victor Bianchin

Redator
victor-bianchin

Victor Bianchin

Redator

Victor Bianchin é jornalista.

2324 publicaciones de Victor Bianchin

Em 2025, a China produziu cerca de 270 mil toneladas de terras raras, contra aproximadamente 390 mil toneladas extraídas em escala mundial. Esses números foram levantados pelo Serviço Geológico dos EUA e são presumivelmente confiáveis, e colocam sobre a mesa uma realidade incontestável: atualmente, o país liderado por Xi Jinping produz cerca de 69% das terras raras extraídas em todo o mundo.

A China também domina a indústria de processamento à qual as terras raras precisam ser submetidas para que possam ser utilizadas. Tanto que sua participação, se considerarmos a indústria global de processamento, chega a 90%. Com uma produção de aproximadamente 70% do mercado global e um controle de 90% da indústria de processamento das terras raras, esse país asiático está com a faca e o queijo na mão. Por mais que EUA e seus aliados lamentem isso.

Nos últimos três anos, esse país asiático tem usado seu domínio sobre as terras raras como uma ferramenta de pressão sobre seus rivais. No início de dezembro de 2024, optou por proibir a exportação de alguns minerais críticos para os EUA, entre os quais estavam três metais essenciais para a indústria de chips: gálio, germânio e antimônio. No entanto, sua estratégia acaba de dar uma guinada inesperada: agora não aposta mais em bloquear de forma generalizada todas as suas exportações de minerais críticos; prefere atrasar seletivamente a tramitação alfandegária desses materiais.

Taiwan está na mira da China

Essa fricção seletiva é mais eficaz do que o embargo total. O mecanismo utilizado consiste em controlar a exportação de alguns minerais críticos de modo que o exportador tenha de declarar a qual cliente eles serão destinados e para que serão utilizados. Essa estratégia permite ao governo chinês atrasar deliberadamente a exportação, tornando toda a cadeia de suprimentos mais lenta sem a necessidade de aprovar uma proibição explícita.

A primeira “vítima” desse plano é Taiwan. A China está submetendo a esse controle rigoroso a exportação de três minerais muito importantes para as indústrias taiwanesas: germânio, quartzo e neodímio. O primeiro deles é essencial para a fotônica de silício, a fibra óptica, a fabricação de semicondutores e a óptica infravermelha. A China controla cerca de 63% do fornecimento mundial. Já o quartzo de alta pureza é utilizado na fabricação de wafers para semicondutores, embora a China não seja a principal produtora.

O cenário do neodímio é um pouco diferente. O país de Xi Jinping não controla a exportação desse elemento químico; o que controla é seu processamento e refino. E o neodímio é essencial para produzir os ímãs de alto desempenho utilizados pelas indústrias aeroespacial e de robótica.

Por enquanto, a China está utilizando essa estratégia apenas com Taiwan, mas há chances que também a utilize contra os EUA e seus aliados. Seja como for, o germânio pode ser substituído por outros dopantes ou comprado do Japão, do Canadá ou da Bélgica, de modo que o impacto real dessa medida da China dependerá do tempo pelo qual ela se prolongar e de seu alcance. O país asiático, por outro lado, poderia decidir submeter a esses mesmos controles de exportação outros minerais críticos de seu portfólio.

Imagem: Unsplash

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


Inicio