"Mas, afinal, o Office existe ou não?" É uma pergunta que parece trivial, mas não tanto assim: as constantes mudanças de nome e marca fizeram com que o pacote Office da Microsoft se tornasse a mais recente vítima de sua obsessão por IA e sua avalanche de produtos com o sobrenome Copilot.
Office de sempre não é mais o mesmo
A evolução do Office foi relativamente estável até 2020. O pacote, lançado oficialmente em 1990, possibilitou reunir todos os aplicativos de escritório que a Microsoft já possuía e que, posteriormente, seriam expandidos. Foi assim que logo vimos um Office composto por Word, Excel, PowerPoint, OneNote, Outlook, Access, entre outras ferramentas.
Mudanças e mais mudanças
Desde então, o pacote passou por mudanças de paradigma... e de nome:
- 2010: A marca Office 365 é apresentada como uma versão em nuvem do pacote Office tradicional. O objetivo: competir com o Google Docs
- 2013: Após o lançamento do Office 2013, a Microsoft começa a promover o serviço Office 365 como a principal alternativa para acessar ferramentas.
- 2017: A Microsoft apresenta uma segunda evolução desses serviços, desta vez voltada para empresas e batizada de Microsoft 365. Essa plataforma combinava o Office 365 com licenças de volume do Windows 10 Enterprise, além de algumas soluções adicionais.
- 2020: O Office 365 muda seu nome para Microsoft 365.
- 2022: A Microsoft anuncia que a marca "Microsoft Office" seria abandonada em favor da marca "Microsoft 365". Mesmo assim, a Microsoft continua vendendo licenças perpétuas do Microsoft Office para instalações locais. A versão mais recente até hoje é o Microsoft Office 2024.
- 2025: A Microsoft renomeia o aplicativo Microsoft 365 para Microsoft 365 Copilot, referindo-se ao "Office/Microsoft 365 Hub". Este aplicativo funciona como um agregador das diferentes ferramentas do Microsoft Office (Word, Excel, etc.).
Perplexity alimenta ainda mais a polêmica
Há alguns dias, o Perplexity publicou um tweet no qual parecia indicar que a Microsoft havia mudado o nome do "Office" para "aplicativo Microsoft 365 Copilot". Na verdade, o que foi renomeado, como apontado no Windows Latest, é o "Office/Microsoft 365 Hub", mas essa mudança de nome já havia sido anunciada um ano antes, em janeiro de 2025, como indicamos. O Perplexity também acrescentou que essa decisão fez com que "400 milhões de usuários se tornassem 'usuários de IA' da noite para o dia". Tanto o tweet quanto essa declaração foram um tanto exagerados e não ajudaram a esclarecer uma situação que já é confusa.
Microsoft esclarece:
Representantes da Microsoft indicaram ao The Verge e a outros veículos de comunicação que:
"Não fizemos nenhuma alteração recente nos nomes de nossos aplicativos do Office. Word, Excel e PowerPoint, os aplicativos do Office incluídos no pacote de produtividade Microsoft 365, permanecem inalterados.
Em novembro de 2022, renomeamos apenas o aplicativo "hub" do Office para web e dispositivos móveis para aplicativo Microsoft 365. Em janeiro de 2025, atualizamos para aplicativo Microsoft 365 Copilot para refletir seu papel de reunir as experiências de produtividade do Copilot e do Microsoft 365 em um só lugar."
Mais confusão com Office.com
Embora a Microsoft não tenha simplesmente "matado" a marca Office, parece que também não quer que ela seja muito usada. Aliás, ao acessar o site office.com, a primeira coisa que se vê é a mensagem "Bem-vindo ao aplicativo Microsoft 365 Copilot", ou seja, aquele "hub" ou agregador a partir do qual se pode acessar as diferentes ferramentas do pacote Microsoft Office. Não parece uma decisão acertada, como outras recentes nesse sentido.
Como destruir uma marca reconhecida e consolidada
A verdade é que o Office era uma marca reconhecida pelos usuários, mas há anos a Microsoft queria transformá-la em algo maior. Acreditamos que a intenção era deixar claro que o Microsoft 365 era mais do que ferramentas de escritório tradicionais, mas a única coisa que conseguiu com essas mudanças foi gerar ainda mais confusão. O Office ainda existe como produto e como marca, mas acabou sendo absorvido por essas novas marcas e, claro, pela obsessão da Microsoft com IA e o Copilot.
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