Texto original de Noelia Hontoria
O Japão é um paraíso para os amantes da tecnologia, embora, para ser mais preciso, o "ponto zero" esteja localizado no distrito de Akihabara, o polo eletrônico de Tóquio. Esta área central da capital é um dos lugares mais importantes do planeta quando se trata de mangá, videogames, tecnologia e todo tipo de coisa geek.
E entre todas as ofertas tecnológicas que podemos encontrar neste lugar excêntrico, as "lojas junk" (literalmente traduzidas como "lojas de lixo") são, sem dúvida, um espetáculo à parte.
Spoiler 1: elas fazem jus ao nome, e lá você encontrará todo tipo de lixo que em qualquer outro lugar do mundo acabaria no lixo. Spoiler 2: se você souber onde procurar, há tantas preciosidades que é difícil sair de lá sem comprar nada.
Como é realmente a zona "junk" no Japão
Recentemente, visitei o Japão e uma das coisas que mais me intrigou (além do Super Nintendo World) foi todo o cenário de eletrônicos usados, já que eu tinha lido que era diferente de tudo que eu já tinha visto.
E, de fato, a fama era mais do que justificada. Além das grandes redes com prédios inteiros repletos de tecnologia (Yodobashi Camera, Bic Camera…), as lojas de produtos de segunda mão são imperdíveis.
São lojas transbordando de prateleiras e caixas cheias de aparelhos que não funcionam direito. Elas são literalmente chamadas de "lixo" porque o que você compra pode nem funcionar.
Já temos um conceito similar na Espanha com lojas como Cash Converters ou CEX, que categorizam seus produtos em diferentes níveis (A, B, C…) dependendo de sua condição. No entanto, a diferença é que no Japão existe uma categoria adicional, o nível J (também conhecido como Lixo).
A principal característica dos produtos de nível lixo é que eles não têm garantia nem política de devolução. Eles não garantem o funcionamento dos produtos e você não pode fazer perguntas sobre eles. Você os adquire por sua conta e risco. Dito isso, geralmente não se importam se você testar o que quiser na própria loja... contanto que não incomode os vendedores.
Entre essas mercadorias, você pode encontrar itens para peças, quebrados, defeituosos ou muito antigos, mas se tiver um bom faro, pode encontrar verdadeiras joias.
Nessas lojas, você encontra de tudo
Desde celulares completamente inutilizáveis que fazem jus à fama de serem sucata, até outros aparelhos que simplesmente foram parar lá porque ninguém se deu ao trabalho de verificar o que havia de errado com eles.
A quantidade de celulares, consoles de videogame, periféricos, computadores, tablets e relógios (para citar apenas alguns) que o Japão preservou e aguarda seu aparentemente infinito mercado de segunda mão é impressionante. E há muito interesse, pois essas lojas costumam estar lotadas de pessoas, principalmente moradores locais.
Quanto aos preços, há uma grande variação, mas geralmente são muito baixos, quase como comprar por peso.
De Tóquio a Osaka, passando por Kyoto
O epicentro mundial desse curioso mercado de segunda mão é o distrito de Akihabara, em Tóquio, especialmente ao redor da Junk Street (o nome não poderia ser mais descritivo). Em alguns casos, essas pechinchas podem ser encontradas em lojas de rua, enquanto em outros estão "camufladas" nos porões de lojas que, à primeira vista, vendem apenas produtos novos.
Outra área em Tóquio onde você pode procurar pechinchas é Nakano, cujo shopping center ganhou fama justamente por isso, embora, nesse caso, seja mais focado em relógios e mangás do que em celulares.
O distrito de Namba (mais especificamente a área de Denden Town) em Osaka captura a atmosfera de Akihabara e também possui algumas lojas com essa filosofia, embora em uma escala muito menor.
Por fim, Kyoto, a terceira cidade frequentemente incluída no roteiro turístico tradicional do Japão, é muito mais discreta nesse aspecto, e suas poucas lojas de quinquilharias ocupam apenas alguns estabelecimentos na Rua Teramachi.
A filosofia das lojas de quinquilharias no Japão é bastante curiosa
Nesses espaços caóticos, coexistem verdadeiras joias que foram parar ali por um pequeno dano estético ou porque ninguém as verificou adequadamente, junto com produtos que já deveriam estar na reciclagem há tempos, mas que, por algum motivo, resistem a sair do mercado.
Uma versão deste artigo foi publicada em 2025.
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