Vencedor do Nobel de Física afirma: a humanidade só vai existir por mais 50 anos

O motivo: a guerra nuclear que se aproxima

Humanidade
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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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Durante muito tempo, a física tentou responder a uma das grandes perguntas do universo: como unificar todas as suas forças em uma única teoria. Mas, agora, um dos cientistas que mais contribuíram para esse objetivo, David Gross, vencedor do Nobel de Física, aponta que o verdadeiro problema não é se conseguiremos esse avanço, mas se a humanidade continuará existindo para vê-lo.

Em uma entrevista ao site Live Science, o cientista afirma que as probabilidades de a humanidade viver mais 50 anos são muito pequenas. E a mensagem é clara: trata-se de uma análise dos riscos relacionados ao perigo nuclear existente no mundo.

A ciência explica o motivo

David Gross não fala em termos absolutos, mas coloca números sobre a mesa. Segundo o físico, a probabilidade de ocorrer uma guerra nuclear não é marginal: ele a situa em torno de 2% ao ano, o que equivale a uma chance de uma em 50 a cada ano. Embora possa parecer baixa, quando acumulada ao longo do tempo, muda a perspectiva.

O contexto atual reforça seu cálculo, pois ele aponta para um cenário internacional cada vez mais instável, com conflitos abertos e tensões crescentes entre potências. Desde a guerra na Europa até os focos de tensão no Oriente Médio ou o histórico entre Índia e Paquistão. O risco não é teórico, mas parte do presente.

Embora, para ele, não se trate de uma estimativa exata, Gross insiste que ela pode até estar subestimada. Em um ambiente global cada vez mais imprevisível, esses 2% ao ano não são um número tranquilizador, mas um alerta sobre a fragilidade que o equilíbrio atual pode ter.

O risco não é apenas nuclear, mas também sobre quem toma decisões

O problema não se limita apenas à existência de armas nucleares, mas a como as decisões em torno delas são tomadas. Esse é o caso de cenários de tensão máxima: os tempos de resposta podem ser reduzidos a minutos, o que deixa pouca margem para a análise humana.

A inteligência artificial está começando a ser integrada a processos críticos e, como ressalta David Gross, esses sistemas podem cometer erros, o que introduz uma camada adicional de incerteza em decisões que não admitem falhas.

O próprio David Gross levantou um cenário importante: se os responsáveis militares tiverem apenas 20 minutos para decidir se lançam mísseis ou não, a tentação de delegar parte do processo a sistemas automatizados pode aumentar — e aí, surge um novo risco.

O cerne do problema não é tecnológico, mas de controle. À medida que os sistemas se tornam mais rápidos e complexos, a capacidade humana de supervisioná-los em tempo real diminui. E, em um contexto nuclear, essa perda de controle pode trazer consequências irreversíveis.

Nem tudo está perdido… talvez

Apesar desse cenário impactante, o físico não acredita que ele seja inevitável. Ele aponta que existem medidas relativamente simples que poderiam reduzir o risco, e tudo começa por algo básico: a cooperação entre potências. Na opinião dele, o enfraquecimento dos tratados internacionais nos últimos anos e a corrida armamentista entre potências mundiais aumentaram a tensão global.

Ações paralelas, como as relacionadas às Mudanças Climáticas, podem ser um grande exemplo; embora a resposta não tenha sido perfeita, gerou-se uma consciência global diante desse problema. David Gross afirma que algo semelhante poderia ocorrer com o risco nuclear se houvesse vontade política.

O alerta de Gross não é sobre física, mas sobre prioridades. Porque, enquanto a ciência continua avançando em direção a teorias cada vez mais ambiciosas, a humanidade segue dependendo de equilíbrios frágeis para não se destruir. A humanidade estaria cada vez mais perto de entender o universo, mas também de não estar aqui para comprovar isso.

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka México.


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