"Saí em silêncio e envergonhada com meu queijo": a Geração Z não tem problema em comprar online, mas pessoalmente é um pesadelo

"Saí em silêncio e envergonhada com meu queijo": a Geração Z não tem problema em comprar online, mas pessoalmente é um pesadelo.
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Fabrício Mainenti

Redator

As compras online são uma das formas mais comuns de adquirir produtos hoje em dia. Com apenas alguns cliques, é possível encontrar inúmeros itens e até mesmo desfrutar da comodidade de receber as compras em casa. A Geração Z não tem problemas com essa prática. A verdadeira dificuldade reside em outro lugar: ir às lojas físicas.

Atualmente, os nascidos no início dos anos 2000 já fazem parte da população economicamente ativa, pagando impostos ou contribuindo para as despesas domésticas. No entanto, mesmo se autodenominando "pequenos adultos", fazer compras em lojas físicas tornou-se uma tarefa assustadora. Parece que eles não sabem como: "Meu maior medo como quase adulto é não saber como comprar em um açougue".

Não é uma tendência, é uma realidade

A mudança geracional permeou a forma como os jovens realizam atividades comuns, neste caso, comprar um quilo de carne. Um exemplo disso é um vídeo compartilhado no TikTok por uma jovem de vinte e poucos anos de Zaragoza, na Espanha, no qual ela expressa seu medo de não saber o que fazer em um açougue.

No entanto, em vez de ser alvo de chacotas por parte de outros usuários, os comentários apoiaram seus sentimentos. Dezenas de pessoas compartilharam suas próprias histórias sobre o constrangimento que sentem ao entrar em uma loja ou por não saberem como interagir em um mercado. Seja qual for o lugar, elas têm dificuldade em saber o que fazer ou o que pedir.

"Me fui en silencio y avergonzado con mi queso": la Generación Z no tiene problemas con comprar en línea, pero en persona es un tormento
"Na peixaria, eu não sabia que vendiam salmão inteiro. Pedi um salmão pensando que era um quilo, e me entregaram o salmão inteiro (64 euros/R$ 403). Fiquei constrangido, então não disse nada e simplesmente aceitei.
"Uma vez vi uma senhora idosa comprando um quarto de chouriço. Achei que era uma boa quantidade, e desde então compro um quarto de tudo".

Como se fossem crianças, parecem aprender por imitação. Embora também haja aqueles que simplesmente cometem erros e os guardam para si para evitar situações embaraçosas. A estes relatos soma-se o de um jovem que, ao pedir 50 gramas de queijo, recebeu apenas uma fatia: "Saí com a minha fatia de queijo, em silêncio, envergonhado".

Diante da falta de familiaridade com as compras em lojas físicas, os jovens refugiaram-se nos seus dispositivos eletrônicos para realizar essa tarefa. Tanto que quase 50% dos seus gastos totais são destinados a compras online. Uma diferença marcante em comparação com os adultos mais velhos, cujo gasto é inferior a 10%.

Outro padrão recorrente em seus hábitos de compra é a fidelidade à marca. Cerca de 43% preferem comprar diretamente de empresas conhecidas porque isso inspira confiança e segurança. Essa tendência, quer queiramos ou não, reflete um problema ainda maior que aflige essa geração: a falta de comunicação.

Paradoxalmente, os jovens estão acostumados a passar horas conversando, mas apenas por mensagens de texto, evitando ligações telefônicas. Isso tem levado a dificuldades até mesmo para perguntar aos vendedores nas lojas sobre a quantidade certa de um produto.

Se observarmos essa situação no México, também podemos encontrar esse novo normal de consumo. Como explica um estudo realizado pelo Instituto Tecnológico de Monterrey, a Geração Z gasta, em média, 3.000 pesos (cerca de R$ 916) por mês em compras de supermercado online. Pelo menos 51% dos jovens fazem isso.

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