Quando a OpenAI lançou seu negócio publicitário há alguns meses, o modelo de negócios era o CPM (pagamento por impressões), similar ao do YouTube. O investimento mínimo era de 250 mil dólares. De lá para cá, o preço caiu de 60 para 25 dólares por cada 1.000 impressões e o investimento mínimo foi reduzido para 50 mil. A direção desse movimento diz muito: a OpenAI precisa de mais anunciantes, e precisa deles mais rápido.
Isso explica o movimento de agora: a OpenAI inaugurou um modelo publicitário de custo por clique (CPC) em que cada anunciante é cobrado de acordo com o número de cliques que suas respostas geram. Cada clique custa entre 3 e 5 dólares na plataforma publicitária, que por enquanto está restrita a grandes anunciantes.
Isso marca o momento em que o ChatGPT deixa de ser uma ferramenta neutra e se torna um sistema com interesses econômicos diretos sobre qual resposta aparece primeiro. E esse salto tem consequências para qualquer pessoa que use a IA como fonte de informação.
Nas entrelinhas
Um CPC de 3 a 5 dólares equivale, em CPM efetivo, a números muito superiores à média do mercado. A OpenAI não está buscando volume barato: quer se posicionar como inventário premium, no nível do Google Search, onde os cliques valem mais porque o usuário chega com uma intenção clara, sobretudo em certos tipos de buscas: seguros de saúde, empréstimos urgentes, advogados especializados em acidentes de trânsito etc.
O problema é que esse prêmio por intenção ainda precisa ser demonstrado.
O modelo CPC introduz um conflito que qualquer plataforma de conteúdo conhece bem: a melhor resposta para o usuário e a resposta oferecida por quem paga mais nem sempre são a mesma. Não é um problema exclusivo da OpenAI e nem dos buscadores. É a contradição de base de qualquer negócio que combina informação e receita publicitária, incluindo os veículos de comunicação, e que cada ator gerencia com maior ou menor sucesso dependendo de seu tamanho, reputação e incentivos.
O Google vem navegando esse conflito há 25 anos, com resultados cada vez mais debatidos. Pensemos em como era uma página de resultados do Google em 2005 e como é hoje.
A OpenAI agora herda esse conflito desde o primeiro dia, mas sem a margem de reputação que deu ao Google espaço durante duas décadas, e em um momento em que a exigência de transparência sobre como funcionam os sistemas de IA é cada vez maior.
Há quem argumente que os LLMs são diferentes porque a conversa contextual gera uma intenção mais qualificada do que a busca tradicional, o que justificaria o preço premium e tornaria mais tolerável a presença publicitária.
É possível. Mas isso mesmo foi dito do branded content, da publicidade nativa e do SEO em seus primórdios. Se a história nos ensina algo, é que os incentivos econômicos acabam vencendo o design de produto, e não o contrário.
Imagem destacada | Xataka
Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.
Ver 0 Comentários