A dor crônica é um desafio que afeta milhões de pessoas e, muitas vezes, parece não responder aos tratamentos convencionais. No entanto, pesquisadores da Universidade de Tóquio descobriram que a chave para entender essa resistência pode estar no cérebro, especificamente em traços relacionados ao Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH).
Segundo o estudo publicado na Scientific Reports, pessoas com dor severa apresentam características de TDAH em uma frequência 2,4 vezes maior do que a população geral.
A conexão entre as duas condições não é apenas física, mas mediada por fatores psicológicos. O estudo sugere que o TDAH impacta a forma como o indivíduo percebe a dor por meio de um ciclo de ansiedade, depressão e padrões de pensamentos negativos. Em pacientes com TDAH, a dificuldade em regular emoções e a tendência à impulsividade ou desatenção podem intensificar a sensibilidade ao desconforto, tornando a dor mais persistente e difícil de tratar com analgésicos comuns.
Um novo olhar para o tratamento multidisciplinar
Para os especialistas, essa descoberta reforça que a dor não é um fenômeno puramente físico. Muitos adultos vivem com TDAH não diagnosticado e buscam ajuda apenas para as queixas corporais, sem saber que sua estrutura neurológica influencia diretamente o sofrimento físico.
Identificar esses traços pode ajudar médicos a estreitarem as opções de tratamento, focando em abordagens que vão além dos remédios, como a terapia cognitivo-comportamental e programas de reabilitação com exercícios.
O objetivo da equipe liderada pelo Dr. Satoshi Kasahara é agora investigar se o tratamento direto do TDAH pode, consequentemente, reduzir a dor crônica. Além de intervenções médicas, a psicoeducação, que ajuda o paciente a entender suas próprias características, surge como uma ferramenta essencial.
Ao aprender a gerenciar seus comportamentos e emoções, o paciente pode (em teoria) quebrar o ciclo de negatividade que alimenta a dor.
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