Um dos vulcões mais violentos do México está ficando ativo novamente

As mudanças na temperatura da água e o surgimento de gases tóxicos causaram alterações no turismo em El Chichonal

El Chichonal / Imagem: Xataka
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Victor Bianchin

Redator
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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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Em 1982, o vulcão Chichón, conhecido popularmente como “El Chichonal”, protagonizou um dos episódios eruptivos mais violentos da história moderna do México, alterando até o clima global. Quatro décadas depois, o gigante adormecido de Chiapas volta a chamar a atenção da ciência — e não porque tenha começado a soltar lava, mas por algo mais sutil e geoquímico.

Os dados recentes apresentados pelo Instituto de Geofísica da UNAM estão mostrando variações físico-químicas bastante notáveis, desde temperaturas que ultrapassam o ponto de ebulição no fundo até o surgimento de esferas de enxofre. Isso tem levado os geólogos a pedir maior vigilância e um controle rigoroso das pessoas que se aproximam da cratera.

Há muitos anos, o lago da cratera do Chichón tem sido uma atração turística visualmente impressionante, frequentemente caracterizado por tons verdes devido à presença de algas. No entanto, Patricia Jácome Paz, pesquisadora do IGf da UNAM, revelou em um Seminário de Vulcanologia que o ecossistema do lago se transformou.

O monitoramento detectou uma transição bastante agressiva: as algas deram lugar a sulfatos e sílica. Isso nos informa sobre o que está ocorrendo no fundo do vulcão, destacando sobretudo a grande atividade de gases, evidenciada pelo surgimento de esferas de enxofre.

Além dos sulfatos, as temperaturas extremas também estão se fazendo presentes no fundo do lago, onde chegaram a ser registrados 118 °C. Também há um aumento da concentração de cloretos, o que sugere uma maior interação entre os gases magmáticos e a água subterrânea.

O perigo invisível

Para além da química da água, o maior risco atual para visitantes e moradores não é uma explosão iminente, mas sim aquilo que não se vê. Fontes primárias da UNAM e relatórios da Proteção Civil alertam sobre a emissão de gases tóxicos que podem atingir as vias respiratórias.

A análise de 2025 destaca, nesse caso, a presença de grande quantidade de dióxido de carbono e ácido sulfídrico. O grande problema é que, por terem densidade maior que a do ar, tendem a se acumular nas áreas baixas da cratera, criando “armadilhas” mortais para quem desça sem equipamento de proteção. A inalação desses gases pode causar tontura e danos respiratórios graves, razão pela qual o acesso à cratera está restrito.

Erupção iminente?

Todos querem saber se há risco de erupção e a resposta curta é: não. Nesses casos, é preciso diferenciar entre a atividade magmática e a atividade hidrotermal, ou seja, a água aquecida pelo calor residual do vulcão.

Neste vulcão, por enquanto, não foi detectada nenhuma deformação do terreno que indique que a temida lava está emergindo, mas foi observado um sistema hidrotermal muito ativo, que pode gerar eventos freáticos. Estes não são mais do que pequenas explosões causadas pela pressão do vapor de água, e não por lava, mas continuam sendo muito perigosos na área imediata ao redor da cratera.

Para que essas mudanças não peguem ninguém de surpresa, a ciência implementou um protocolo de monitoramento reforçado que inclui estações adicionais instaladas a partir de junho de 2025 para detectar o aumento da atividade sísmica. Além disso, são feitas medições milimétricas do terreno para descartar inchaços e manter uma amostragem constante da água.

Essas medidas são importantes porque qualquer atividade inesperada do vulcão afetaria um raio de 30 km onde vivem aproximadamente 100.000 pessoas. Por causa do ocorrido em 1982, essa população já está treinada sobre os passos a seguir caso essa situação aconteça.

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


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