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China está estrangulando fornecimento de materiais críticos que EUA precisam para indústria tecnológica: é uma guerra em duas velocidades

China domina produção de elementos de terras raras e materiais como fosfeto de índio, essencial para criação de componentes fotônicos para chips de data centers.

Estados Unidos precisam urgentemente desse fosfeto de índio, mas relatos indicam que China está reduzindo ritmo das remessas

Imagem | Xataka
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PH Mota

Redator
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Jornalista há 15 anos, teve uma infância analógica cada vez mais conquistada pelos charmes das novas tecnologias. Do videocassete ao streaming, do Windows 3.1 aos celulares cada vez menores.

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No início de maio, Trump fez uma viagem oficial à China e levou um grupo de CEOs a bordo do Air Force One. Todos eram do setor de tecnologia (Cristiano Amon, Tim Cook, Elon Musk e Jensen Huang, por exemplo), mas também dos setores de energia, espacial e de semicondutores. Um deles era Jim Anderson, da Coherent, que estava muito interessado em algo específico: por que a China está demorando mais do que o esperado para emitir licenças de exportação para fosfeto de índio.

Anderson está fascinado pelo fosfeto de índio por um motivo muito específico: é um material essencial para chips ópticos de alta velocidade. E, embora possa parecer muito específico, acaba sendo o componente-chave necessário para a próxima geração de data centers nos Estados Unidos. E a China, assim como com outros materiais e metais estratégicos, tem controle sobre isso.

Chips ópticos

Os data centers abrigam quilômetros e quilômetros de cabos visíveis conectando servidores à rede e à energia, mas não são os únicos. Dentro de cada dispositivo, os chips são conectados por cabos e, embora essa tecnologia seja funcional, ela tem um limite que está começando a ser atingido. Se quisermos melhorar a latência e a largura de banda (e, portanto, o desempenho das plataformas de inteligência artificial), precisamos repensar as conexões internas entre os chips.

É aí que entra a óptica. Conectar chips com lasers multiplica o desempenho dos computadores, e a Nvidia está tão convencida disso que, há alguns meses, investiu US$ 4 bilhões em duas empresas: Lumentum e Coherent. Elas estimam que, com o cobre atingindo seu limite, conectar clusters de milhares de processadores com lasers seja a solução para o problema físico que estão começando a enfrentar.

Esses são componentes altamente especializados, que exigem uma série de materiais de terras raras que, como já relatamos em diversas ocasiões, estão sob o controle da China. O fosfeto de índio não é um derivado de terras raras, mas é um material estratégico.

Estrangulando o mercado

E aí reside o problema. Os Estados Unidos querem aumentar sua independência tecnológica (pois possuem as grandes empresas de tecnologia, mas praticamente tudo é fabricado fora dos Estados Unidos) e, para isso, precisam de uma série de materiais que não controlam. A China detém esse domínio, mas a cada restrição e veto imposto pelos EUA, ela responde na mesma moeda, vetando justamente o que as empresas de tecnologia americanas tanto precisam: metais de terras raras.

É por isso que eles são classificados como minerais, metais e componentes estratégicos, e o fosfeto de índio está entre eles. A China produz aproximadamente 70% do índio mundial e começou a implementar restrições na cadeia de suprimentos em fevereiro de 2025. Isso não só fez com que os preços disparassem 250%, como também levou as empresas de tecnologia americanas a pressionarem para reverter a situação.

A principal queixa é que, em vez de bloquear diretamente os produtos acabados, a China desacelera todo o processo, pois pode restringir a exportação dos materiais usados ​​para criar esses produtos. Portanto, o ecossistema de módulos ópticos não consegue escalar tão rapidamente quanto os hiperescaladores precisam.

Efeito dominó

Diante dessa situação, o que está acontecendo com esses sistemas fotônicos avançados é exatamente o mesmo que aconteceu com os chips NAND: o mercado já está saturado para os próximos anos. Nesse sentido, como consumidores, isso não nos afeta diretamente, pois impacta apenas as empresas de IA. No entanto, estima-se que a Lumentum tenha esgotado completamente sua produção em 2026, 2027 e até mesmo 2028, apesar de ter quadruplicado sua capacidade produtiva.

A situação não afeta apenas empresas americanas, já que as taiwanesas VPEC e LandMark Optoelectronics também estão enfrentando interrupções no fornecimento. E não adianta que a Lumentum ou a Coherent estejam expandindo sua capacidade produtiva com a abertura de novas fábricas, pois as matérias-primas ainda vêm da China e, com os controles de exportação em vigor, o gargalo se torna intransponível.

O outro lado da moeda

Por outro lado, temos a indústria chinesa. Nos últimos anos, suas empresas de tecnologia deram um salto gigantesco, expandindo sua capacidade e começando a deixar sua marca no cenário internacional tanto com componentes de nível de consumo (RAM e computadores) quanto com tecnologia de ponta (fotônica e semicondutores).

A China detalhou seu plano para se tornar a principal potência tecnológica mundial até 2030, e é evidente que possui um roteiro bem definido e, sobretudo, os recursos necessários para atingir esse objetivo, além das empresas que moldarão esse futuro. Huawei e SMIC são dois exemplos primordiais, mas existem outras, como a Yuanjie, cujas ações dispararam. O motivo? São elas que criam componentes fotônicos para data centers.

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