O argumento da criação de empregos tem sido o principal atrativo para a construção de data centers; seria ótimo se fosse verdade

  • A construção de centros de dados nas proximidades traz muitas desvantagens e quase nenhuma vantagem;

  • Eles são enormes e extremamente caros, mas, uma vez em funcionamento, operam praticamente no piloto automático

O argumento da criação de empregos tem sido o principal atrativo para a construção de data centers; seria ótimo se fosse verdade
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Fabrício Mainenti

Redator

Os data centers consomem quantidades enormes de eletricidade — elevando as contas de energia — e poluem o ar e, por vezes, a água. As críticas a eles estão aumentando, enquanto os argumentos a favor — pelo menos para quem vive perto desses gigantes — resumem-se a apenas um: eles geram muitos empregos. Mas será que isso é verdade?

O cenário atual

Os Estados Unidos abrigam um terço dos data centers do mundo. O site Futurism relata que estados americanos competem para atrair grandes empresas de tecnologia, oferecendo recursos e isenções fiscais em troca da criação de empregos e do desenvolvimento da comunidade. No entanto, fica cada vez mais claro que a promessa de empregos estáveis ​​e de longo prazo não tem se concretizado.

Bilhões gastos para poucos empregos

Em Cedar Rapids, Iowa, dois projetos de data centers estão em andamento — um da QTS e outro do Google. Conforme apontado pelo Centro de Desenvolvimento Econômico de Cedar Rapids, a cidade ofereceu incentivos para estimular a construção, incluindo uma isenção de 70% no imposto predial por 20 anos e um abatimento de 75% nas taxas de eletricidade (uma sobretaxa municipal incluída nas contas de serviços públicos).

O Google e a QTS planejam investir US$ 1,3 bilhão (cerca de R$ 6,5 bilhões) em seus data centers; contudo, a previsão é que economizem mais de US$ 580 milhões (cerca de R$ 2,9 bilhões) em impostos e taxas municipais. Você pode se perguntar: quantos empregos eles criarão? Pelo acordo, as empresas são obrigadas a criar apenas 61 vagas permanentes.

Por que isso importa

Os data centers tornaram-se uma força motriz na economia dos EUA, mas há uma enorme diferença entre os investimentos vultosos que as gigantes da tecnologia (Big Tech) fazem para construí-los e o impacto real no emprego local. 

São instalações enormes e extremamente caras, mas que, uma vez em operação, funcionam quase inteiramente no piloto automático. As tarefas que exigem intervenção humana real são mínimas em comparação com a escala da infraestrutura.

A mesma situação em Aragão

Esse cenário não é exclusivo dos Estados Unidos; o mesmo está acontecendo em Aragão, na Espanha. Recentemente, soubemos dos números de empregos que a Amazon espera gerar em Villanueva del Gállego, onde está construindo seis data centers. A empresa havia mencionado até 29.900 empregos em tempo integral ligados ao projeto, mas esse número incluía empregos indiretos e induzidos — como os de fornecedores e serviços associados.

Na realidade, nos seis data centers, serão contratados apenas 180 funcionários permanentes, trabalhando em turnos para garantir operações ininterruptas (24 horas por dia, 7 dias por semana, o ano todo). Mais uma vez, a narrativa de uma criação massiva de empregos cai por terra quando analisada mais de perto.

De fato, empregos são criados, mas são temporários

A construção de data centers dessa magnitude exige a mobilização de inúmeras empresas de diversos setores, o que gera, indiretamente, um volume significativo de empregos. No caso de Cedar Rapids, a cidade alardeia que os projetos criarão "milhares de empregos na construção civil e em áreas técnicas", mas a pergunta que resta é: o que acontece com esses trabalhadores quando o data center entra em operação?

Segundo um relatório recente da Turner & Townsend citado pelo Futurism, a corrida para construir novos data centers elevou os custos de outros projetos — como a construção de moradias — e está monopolizando a mão de obra qualificada do setor de construção.

Imagem | Xataka com Magnific

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