Coalas quase foram extintos antes mesmo da chegada de humanos na Terra, revela novo estudo

Mas nada se compara aos riscos atuais

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Vika Rosa

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Vika Rosa

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Jornalista com mais de 5 anos de experiência, cobrindo os mais diversos temas. Apaixonada por ciência, tecnologia e games.

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Por muito tempo, cientistas acreditaram que os coalas começaram a entrar em declínio apenas após a chegada dos primeiros seres humanos à Austrália, há cerca de 65 mil anos. No entanto, um novo estudo genético acaba de reescrever essa história ao revelar que a espécie quase desapareceu muito antes disso.

A pesquisa, conduzida por cientistas da Universidade de Sydney e da Texas A&M University e publicada na revista Molecular Biology and Evolution, mostra que os coalas sofreram um colapso populacional há aproximadamente 100 mil anos, durante um período de intensas mudanças climáticas. Segundo os pesquisadores, todos os coalas vivos atualmente descendem de um pequeno grupo de sobreviventes que conseguiu resistir às condições extremas da época.

Uma reconstrução de 100 mil anos

Para chegar a essa conclusão, os cientistas calcularam pela primeira vez a taxa de mutação genética da espécie. O estudo analisou o DNA de quatro famílias de coalas, compostas por pais e filhotes, para medir quantas novas mutações surgiam a cada geração. Em seguida, essa informação foi aplicada à análise de 457 genomas de coalas de diferentes regiões da Austrália.

Com isso, foi possível reconstruir a história genética da espécie ao longo de cerca de 100 mil anos. Os resultados indicam que a população começou a diminuir por volta desse período e atingiu um gargalo genético crítico aproximadamente 60 mil anos atrás, quando restavam poucos indivíduos capazes de transmitir seus genes às gerações seguintes.

Os pesquisadores acreditam que esse declínio foi provocado pelas mudanças ambientais ocorridas durante a última Era Glacial. Na época, o clima australiano tornou-se muito mais frio e seco, reduzindo drasticamente as áreas de floresta de eucalipto, habitat essencial para os coalas. Além disso, a expansão da Planície de Nullarbor criou uma enorme barreira de vegetação árida, isolando as populações do leste e do oeste do continente.

Enquanto os coalas do oeste acabaram desaparecendo, um pequeno grupo no leste conseguiu sobreviver. Com o retorno de condições climáticas mais favoráveis, entre cerca de 16.500 e 6.000 anos atrás, esses sobreviventes voltaram a se expandir e deram origem às cinco principais populações genéticas que existem atualmente na costa leste da Austrália.

Embora o estudo mostre que a espécie já enfrentou uma crise semelhante no passado, as ameaças atuais são muito diferentes. Hoje, a perda de habitat causada pelo desmatamento, incêndios florestais, doenças e atividades humanas continua reduzindo o número de coalas, especialmente nos estados de Queensland e Nova Gales do Sul, onde eles são oficialmente considerados uma espécie ameaçada desde 2022.

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