A situação dos preços da RAM é tão desesperadora que já há quem esteja construindo a própria memória em casa

Você pode optar por comprar adaptadores ou colocar a mão no ferro de solda para aproveitar memórias de notebooks

Memória RAM / Imagem: Andrey Matveev
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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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A crise que estamos vivendo com as memórias RAM e seus preços exorbitantes está sacudindo a indústria de tecnologia de várias formas, justamente porque são componentes presentes na grande maioria dos dispositivos que usamos no dia a dia. Diante desses valores absurdos, há usuários que recorreram a soluções extremas: construir suas próprias memórias RAM.

Os preços da memória dispararam para níveis insustentáveis. Módulos DDR5 que antes custavam entre R$ 600 e R$ 900 agora facilmente passam de R$ 2.100,00  em muitos mercados. Dá para colocar a culpa na IA: a demanda por DRAM para aplicações de inteligência artificial absorveu grande parte da produção mundial. Só a OpenAI teria abocanhado 40% de toda a produção, deixando os usuários domésticos pagando o preço.

O pior é que não parece que isso vá se resolver tão cedo. Segundo a empresa de análise IDC, a escassez pode se estender até 2027.

Adaptadores baratos

Nas últimas semanas, vimos alguns usuários optarem por construir suas próprias memórias RAM para enfrentar a crise de preços. Uma das abordagens é usar adaptadores de SODIMM para UDIMM. Em um vídeo do canal do YouTube Hardware Canucks, eles mostram testes dessa solução em sistemas Ryzen 7000, 9000, Intel LGA 1700 e LGA 1851 sem grandes problemas. A ideia é simples: comprar módulos DDR5 SODIMM (de notebook), que ainda são relativamente baratos, e conectá-los ao sistema por meio de adaptadores que custam entre 10 e 15 euros.

É preciso dizer que esse método também tem suas limitações, já que a velocidade de transferência de dados alcançada por esses adaptadores é uma verdadeira loteria. Nos testes do Hardware Canucks, alguns não passam de 4.800 MT/s de forma estável, enquanto outros chegam a 5.600 MT/s e até 5.800 MT/s, mas isso depende muito do modelo do adaptador e da plataforma.

Em termos de desempenho, o lado bom é que a diferença é praticamente imperceptível. Segundo os testes do criador de conteúdo, com uma RTX 5090 e um Ryzen 9800X3D, a diferença fica entre 5% e 7% no pior dos casos em relação a uma memória DDR5-6000 convencional.

Uma solução mais radical

Outra das abordagens é a escolhida pelo modder russo VIK-on. Como conta o site Videocardz, o entusiasta construiu um módulo funcional de 32 GB combinando chips de dois módulos SODIMM de 16 GB da SK Hynix, uma PCB chinesa e um dissipador do AliExpress. O custo total: 17.015 rublos, cerca de R$ 1.200. Segundo o site, na Rússia, um módulo equivalente custa pelo menos três vezes mais.

Imagem: VIK-on Imagem: VIK-on

Depois de montar fisicamente as peças — um processo que exige estações de reballing BGA e bastante experiência em soldagem — o modder integrou depois um firmware da ADATA para habilitar um perfil XMP que permitiu à memória operar a 6.400 MT/s. Assim, o VIK-on conseguiu um módulo funcional de 32 GB que qualquer placa-mãe pode reconhecer e que, segundo ele, funciona de forma estável em jogos.

O fato de ter gente fabricando RAM em casa diz muito sobre o estado do mercado. Nem todo mundo vive essa situação da mesma forma, já que em alguns mercados, como a Rússia, os preços são especialmente proibitivos. Ainda assim, soldar chips de memória não é algo trivial: exige equipamentos especializados, experiência técnica e assumir o risco de danificar componentes caros.

O método dos adaptadores é bem mais acessível, mas o mais provável é que essas soluções caseiras continuem sendo um nicho. A maioria dos usuários vai preferir pagar o sobrepreço a se arriscar soldando componentes ou lidando com adaptadores de terceiros. Ainda assim, se as previsões se confirmarem e a crise se estender por vários anos, é possível que surja um mercado secundário de módulos recondicionados profissionalmente a partir de excedentes. 

Imagem de capa | Andrey Matveev

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


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