"Basicamente, é desumano obrigar alguém a viajar assim."
As palavras são de Amanda Schmidt, cidadã comum que vive (ou sobrevive) mais um dia na experiência de voar. Suas reclamações podem ter passado despercebidas, mas ganharam força depois que publicou um vídeo no TikTok. O vídeo viralizou e agora uma companhia aérea teve que se retratar.
Vídeo
"Deveria ser ilegal." "O que acontece em caso de acidente?" "Só de ver isso já me dá claustrofobia." "Não se preocupe, ainda não te cobraram para reclinar a poltrona." Esses são alguns dos comentários que acompanham o vídeo publicado por Schmidt no TikTok, e um deles aponta na direção certa, como veremos adiante.
No vídeo, dois idosos com sérios problemas de mobilidade viajam com o mínimo de conforto em seus assentos. Embora pareça que o vídeo foi gravado com a lente grande angular da câmera, a imagem em si já causa certo desconforto, com o homem encolhendo as pernas sob o assento da frente.
"É desumano"
Após a viralização do vídeo, a empresa teve que se explicar. Em declarações à CBS, a autora argumentou sobre um fato óbvio que a WestJet, a companhia canadense na qual as pessoas do vídeo viajam, parece ter esquecido: "se estão vendendo um assento para um ser humano, um ser humano deveria poder entrar".
O vídeo registra o que a WestJet chamou de "assentos densificados". A empresa tentou aumentar o número de assentos em seus aviões reduzindo o espaço para as pernas e o encosto dos assentos dianteiros. Agora, confirmam que irão reverter o que chamaram de assentos de "linha ultrafina".
"Está no nosso DNA"
Essa foi a resposta de Alexis von Hoensbroech, CEO da empresa, que assegurou ser essencial testar novos produtos em um comunicado divulgado pela companhia. Esses produtos, neste caso, visavam aumentar o número de assentos disponíveis na cabine em detrimento do conforto dos passageiros.
A WestJet garantiu que tinha um programa aberto para reconfigurar suas cabines e aumentar a capacidade de passageiros, mas que a implementação final dependia da rejeição ou apoio dos passageiros. A empresa afirmou que, em dezembro, a possibilidade de cancelar o projeto já havia sido estudada e que, com o feedback recebido, a decisão final seria tomada em meados de fevereiro. Agora, confirma que retornará à configuração inicial.
Reclinação
Entre os comentários no vídeo, um usuário do TikTok apontou que a WestJet ainda "não cobrava pela reclinação da poltrona". A menção não foi acidental, e essa possibilidade já vinha sendo discutida há alguns meses. Em outubro, ficamos sabendo que a empresa tinha um plano: se você quiser uma poltrona reclinável, pague mais.
Para anunciar essa medida, a empresa disse ter criado uma nova classe de passagem chamada "conforto estendido", uma categoria imediatamente acima da tarifa básica que permitiria reclinar a poltrona. Passageiros que não optassem por essa classe ou por qualquer um dos serviços premium viajariam o tempo todo com as costas completamente retas.
A decisão causou surpresa entre usuários e especialistas como John Gradek, professor de gestão aeronáutica da Universidade McGill, em Montreal, que disse à CBC que "a imaginação dos profissionais de marketing das companhias aéreas nunca deixa de me surpreender", deixando claro que a medida nada mais era do que uma nova tentativa de arrecadar mais dinheiro.
Cada vez mais passageiros
Há anos, a única certeza é que as companhias aéreas de baixo custo vêm trabalhando para atrair mais passageiros para seus aviões. Em seu tom polêmico de sempre, Michael O'Leary, CEO da Ryanair, garantiu que poderia colocar aviões para viagens em pé em uma semana e que, se fosse lucrativo para eles, não hesitariam em encontrar uma maneira de conseguir.
Além da bravata de O'Leary, a verdade é que existem empresas que trabalham há anos em soluções com o mesmo objetivo, apresentando "assentos" para viagens totalmente verticais e mal sustentados por uma espécie de banquinho em feiras aeronáuticas. Uma ideia que, felizmente, não se concretizou, apesar das boas avaliações recebidas das companhias aéreas de baixo custo.
Imagem | Dillon Lobo e Kiya Golara
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