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Todos os anos, o Monte Fuji se torna uma armadilha para turistas que precisam de resgate; o Japão cansou de arcar com os custos disso

Em Yamanashi, querem que você pense bem antes de subir a montanha nos meses de baixa temporada

Todos os anos, o Monte Fuji se torna uma armadilha para turistas que precisam de resgate. O Japão cansou de arcar com os custos disso.
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Fabrício Mainenti

Redator

Se você se perder no Monte Fuji por percorrer suas trilhas de forma imprudente e ignorar as recomendações das autoridades locais, terá de pagar. Essa é a filosofia que a província de Yamanashi — localizada na região de Chūbu e uma das administrações responsáveis ​​pelas rotas de escalada — pretende adotar.

Cansado dos acidentes envolvendo trilheiros e diante do aumento do turismo, o governo regional decidiu cobrar pelos resgates que exijam o uso de helicóptero durante a baixa temporada.

Ainda não se sabe qual será o valor da taxa, mas a província vizinha de Saitama já aplica uma medida semelhante, com um custo de cerca de 8.000 ienes (45 euros/R$ 263) a cada cinco minutos de voo. Na prática, isso fez com que o custo médio de cada operação de resgate ultrapassasse 640 euros (cerca de R$ 3.750) no ano passado.

O dado: 300 mil trilheiros

O Japão possui ícones mundialmente reconhecidos — como os portais torii, o festival das cerejeiras (sakura), o cruzamento de Shibuya e o bairro das gueixas em Quioto (para citar apenas alguns exemplos) —, mas nenhum deles se compara ao Monte Fuji, certamente o seu símbolo mais emblemático.

Isso explica por que, a cada verão, entre 200 mil e 300 mil pessoas percorrem suas quatro trilhas principais, segundo dados da Organização Nacional de Turismo do Japão (JNTO). E, como o país continua recebendo visitantes estrangeiros e almeja atingir a marca de 60 milhões até 2030, é provável que esse número continue crescendo.

Todos os anos, o Monte Fuji se torna uma armadilha para turistas que precisam de resgate. O Japão cansou de arcar com os custos disso.

Resgates recorrentes

O problema é que nem todos os excursionistas (locais e estrangeiros) encaram a escalada do Monte Fuji da mesma maneira. Há aqueles que planejam detalhadamente sua expedição, treinam e seguem as orientações das autoridades locais, mas também existem trilheiros imprudentes que não fazem nada disso. 

Segundo o jornal Japan Times, entre 2018 e 2025, foram registrados cerca de vinte acidentes de escalada (com quatro mortes) apenas na vertente de Yamanashi.

Esse não é o único dado que demonstra o desafio enfrentado por Yamanashi. Desde 2020, as autoridades locais tiveram que mobilizar seu helicóptero de resgate em três ocasiões distintas durante meses que, em teoria, são considerados de baixa temporada.

Questão de calendário

Esse último detalhe (o da temporada) é importante porque o Monte Fuji não é acessível da mesma forma durante todo o ano: a temporada oficial de escalada geralmente vai do final de junho ao início de setembro. Fora desses meses, a escalada não é ilegal, mas as estações de maior altitude das quatro rotas principais ficam fechadas e muitos refúgios, desativados.

Isso sem contar que as condições meteorológicas no Monte Fuji são muito piores, o que leva o governo a pedir "encarecidamente" que as pessoas não subam. Não apenas pela própria segurança, mas também pela dos socorristas.

"Quero que as pessoas pensem naqueles que precisam ir resgatá-las. É uma questão de bom senso. Por favor, pensem naqueles que precisam realizar resgates arriscando a própria vida e na preocupação de suas famílias", insiste o governador Kotaro Nagasaki.

Errou, paga

A província de Yamanashi, que supervisiona as rotas de escalada em conjunto com a vizinha Shizuoka, cansou-se do fluxo constante de trilheiros que tentam subir o Monte Fuji nos piores meses do ano e disse "basta". Na segunda-feira, anunciou que começará a cobrar daqueles que ficarem presos na montanha e precisarem de helicóptero.

O objetivo: dissuadir visitantes imprudentes e, caso isso não funcione, garantir que o custo do resgate não saia de graça para eles.

A proposta é, na verdade, muito simples: se você quiser subir o Monte Fuji na baixa temporada — de setembro a junho — e pretender ir além da sexta estação da trilha Yoshida, terá de preencher um formulário. Nele, deverá detalhar seu plano de subida e o equipamento que utilizará.

Se o governo regional considerar que algo não está adequado, poderá recomendar alterações. Esse documento é fundamental, pois pode determinar se você terá ou não de pagar centenas de euros.

E por que isso?

Porque, se você acabar ficando preso na montanha e precisar que a prefeitura mobilize um helicóptero, esse formulário será decisivo, segundo a imprensa local. Os trilheiros que não apresentarem o plano de subida ou o ignorarem — desviando-se da rota ou desrespeitando as recomendações — correrão o risco de ter de pagar a conta do resgate. O mesmo risco valerá caso especialistas considerem que eles agiram de forma imprudente.

O plano do governo de Yamanashi ainda precisa ser detalhado, mas o jornal Asahi sugere que montanhistas responsáveis ​​— que seguem todas as recomendações e simplesmente têm azar durante a subida ao Fuji — poderiam ficar isentos da conta do resgate ou, pelo menos, pagar taxas reduzidas.

Todos os anos, o Monte Fuji se torna uma armadilha para turistas que precisam de resgate. O Japão cansou de arcar com os custos disso.

8.000 ienes por cinco minutos

Ainda restam algumas questões a esclarecer, como o custo das operações de resgate em Yamanashi. De qualquer forma, não se está começando do zero. Na província vizinha de Saitama, uma medida semelhante já é aplicada desde 2018, cobrando-se 8.000 ienes (45 euros) por cada cinco minutos de voo do helicóptero; isso explica por que a conta média dos cinco resgates realizados em 2025 chegou a 115.000 ienes, cerca de 640 euros.

Em teoria, a medida começará a ser aplicada em setembro de 2027.

O fato é que o debate sobre como lidar com o resgate de turistas imprudentes no Monte Fuji já está há algum tempo na pauta das autoridades japonesas. E não é só isso. A transformação da montanha em um destino turístico de massa também levou o governo a considerar a cobrança de uma taxa para a subida ao Fuji, uma forma de arrecadar fundos para, entre outras coisas, remover o lixo que se acumula na região.

Imagens | James Pere (Unsplash), Karen Z (Unsplash) e Chenyu Jiang (Unsplash)

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