Em Singapura, ter um carro não é apenas uma questão de ir à concessionária e escolher um modelo: é preciso comprar uma licença governamental para ter o direito de dirigir, e essa autorização custa uma verdadeira fortuna.
O leilão das licenças e o custo astronômico
Para conter o excesso de veículos, a cidade-estado criou em 1990 o COE (Certificate of Entitlement), uma licença estatal obrigatória que vale por apenas 10 anos. O governo realiza leilões dessas autorizações duas vezes por mês. Como a disputa é extremamente acirrada, o valor de um COE ultrapassa facilmente os R$ 380 mil.
O detalhe é que o interessado precisa desembolsar esse valor milionário apenas pelo papel e, em seguida, pagar pelo veículo em si. Por conta dessa soma, um modelo compacto e popular ultrapassa a marca de R$ 550 mil. A medida transformou o automóvel em um símbolo extremo de status — muitos moradores chegam a se endividar em modelos simples só para passar uma imagem profissional de sucesso, tratando o carro quase como se fosse um relógio de luxo.
A necessidade territorial e o transporte público
A explicação para essa exigência está na geografia. Singapura é uma ilha menor em área do que a cidade de Nova York e precisa acomodar quase 6 milhões de moradores. Se a frota crescesse sem controle, a cidade entraria em colapso viário. A estratégia surtiu efeito: hoje existem apenas 11 carros para cada 100 habitantes por lá, número muito inferior ao registrado na União Europeia (cerca de 57) e nos Estados Unidos (mais de 80).
Para evitar que a população ficasse sem mobilidade, o governo investiu pesado em estrutura. O sistema de transporte coletivo conta com frota renovada, viagens longas de metrô por menos de R$ 9,00 uma malha em que 80% das residências estão localizadas a menos de 10 minutos de caminhada de alguma estação. Com trânsito livre e transporte eficiente, o uso do carro se tornou dispensável para a imensa maioria dos cidadãos.
Por que esse modelo não se espalha pelo mundo?
Embora tenha erradicado os engarrafamentos e diminuído a poluição local, o formato é dificilmente aplicável em outros países. Em primeiro lugar, ele impõe uma barreira social profunda ao reservar o volante apenas às classes mais abastadas. Além disso, a fórmula exige aportes bilionários e constantes do Estado na infraestrutura de transporte público para funcionar de forma aceitável.
Por conta disso, outras metrópoles globais vêm adotando medidas mais brandas e democraticamente aceitáveis para reduzir a frota. A Cidade do México aposta no rodízio de placas, enquanto Londres, Estocolmo e Nova York preferem tarifar a circulação por meio do pedágio urbano nas áreas centrais.
Matéria adaptada de JeuxVideo*
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