Steve Jobs insistia em pagar a conta de seus colegas; sua suposta generosidade era pura esperteza para comer de graça

Ele se divertia enganando a própria empresa para não pagar um dólar

Steve Jobs
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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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De Steve Jobs já se contou muita coisa, como a vez em que deu um Jaguar para uma funcionária que se atrasou e o fato de que trocava seu Mercedes-Benz SL55 AMG de 120 mil dólares a cada 6 meses para poder andar sem placa.

Mas há uma história menos conhecida que, ainda assim, diz muito sobre quem ele era: a de como o fundador da Apple dava um jeito de se aproveitar da própria empresa toda vez que convidava alguém para almoçar.

O cenário eram as cafeterias e restaurantes do antigo campus em 1 Infinite Loop, tudo isso antes da mudança para o atual Apple Park. E o truque de Jobs era de uma simplicidade impressionante.

A anedota foi contada por Scott Forstall à revista Wired há alguns anos e resgatada pelo reconhecido jornalista John Gruber. Vale a pena lê-la inteira:

Quando eu almoçava com Steve Jobs, ele insistia em pagar, o que eu sempre achei um pouco estranho. Mesmo quando íamos juntos e ele pedia algo rápido e já pronto, como sushi, e eu pedia uma pizza feita no forno a lenha, ele me esperava no caixa por 10 ou 15 minutos. Eu me sentia muito desconfortável.
No fim, eu disse: “Sério, posso pagar eu mesmo, então por favor não fique aí me esperando”. E ele respondeu: “Scott, você não entende. Sabe que, para pagar, precisamos passar nosso cartão de funcionário e isso é descontado do salário? Eu só recebo 1 dólar por ano! Cada vez que passo o cartão é uma refeição grátis!”

Era o multimilionário dando um jeito de tirar vantagem da empresa que ele próprio fundou, economizando alguns dólares a cada vez. Uma história que mostra o lado divertido e, ao mesmo tempo, astuto de Steve Jobs. Ambos compartilharam uma grande amizade durante seu tempo na Apple, até que Jobs faleceu em 2011.

Steve Jobs e Scott Forstall durante um evento da Apple em 2011

Durante um tempo, houve muitos que viam Forstall como o sucessor espiritual de Jobs e possível CEO da empresa, até que ele foi demitido pelo fiasco do Apple Maps. Forstall desapareceu do mundo da tecnologia e reapareceu, em uma reviravolta inesperada, como produtor de teatro na Broadway.

Anedotas como essa fazem com que sintamos ainda mais falta do gênio. Um Steve Jobs cotidiano, que no dia a dia tirava proveito da empresa que fundou, salvou e impulsionou.

O homem mais rico da sala ganhava um dólar por ano

O fato de o CEO de uma das empresas mais valiosas do planeta se contentar com um salário anual de um dólar tem sua explicação. Quando Jobs voltou à Apple em 1997, a empresa estava a poucas semanas da falência. Aceitar esse salário era, antes de tudo, uma declaração de intenções: ele não estava ali para enriquecer às custas de uma empresa que precisava cortar gastos em todos os lados, incluindo funcionários. Era uma forma de mostrar que estava apostando tudo junto com eles, e não contra eles.

O que Jobs não precisava era que a Apple lhe pagasse. Ele já era milionário graças à Pixar e à NeXT, a empresa que a Apple adquiriu e que, de quebra, o colocou de volta no comando. O dinheiro nunca foi seu objetivo, e os números confirmam isso: de 1997 a 2011, Jobs recebeu ao todo 14 dólares em salários. Catorze dólares em catorze anos. Por outro lado, suas ações passaram de 17,5 milhões de dólares para mais de 2,2 bilhões. Uma fortuna construída não com base em salários, mas em uma confiança cega no que estava construindo.

Este texto foi traduzido/adaptado do site Applesfera.


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