Tendências do dia

Psicologia afirma que pessoas entre 55 e 75 anos se sentem mais confortáveis com momentos de pausa do que as gerações mais jovens

A exposição constante às telas mudou a relação com o tempo livre. Pausas tranquilas podem trazer benefícios para a atenção e a memória

Gemini Generated Image 2pgniu2pgniu2pgn
Sem comentários Facebook Twitter Flipboard E-mail
natalia-martins

Natália P. Martins

Redatora

A relação com o silêncio e com os momentos sem atividades pode mudar ao longo da vida. Para pessoas mais velhas, períodos de pausa podem ser mais naturais e menos desconfortáveis do que para indivíduos acostumados a uma rotina marcada por notificações, telas e estímulos constantes.

Relação com o silêncio muda ao longo da vida

Com o envelhecimento, muitas pessoas passam a valorizar mais atividades tranquilas e experiências emocionalmente significativas, enquanto situações associadas a excesso de estímulos podem perder espaço.  

A diferença geracional está relacionada aos hábitos e à maneira como cada geração foi exposta aos estímulos do cotidiano. Quem passou boa parte da vida antes da popularização dos smartphones e das redes sociais pode ter desenvolvido uma relação diferente com períodos sem entretenimento imediato.

Shutterstock 2571605527

Para as gerações atuais, smartphones ocupam até os momentos de espera

Uma diferença importante entre gerações está na quantidade de estímulos disponíveis durante os momentos de espera. Hoje, poucos minutos sem uma atividade definida podem ser preenchidos rapidamente com mensagens, vídeos, redes sociais ou notícias.

Ainda assim, isso não significa que os jovens tenham uma "dependência severa de barulho" ou que sejam incapazes de aproveitar o silêncio. O que a tecnologia mudou foi a facilidade de eliminar qualquer intervalo de tédio

O celular permite que praticamente todo momento vazio seja ocupado, seja durante uma fila, no transporte público ou enquanto se espera uma consulta.

Shutterstock 2757878917

Estudos relacionam descanso à consolidação da memória

Ter momentos de repouso ao longo do dia não significa, necessariamente, deitar e dormir. Existem evidências de que períodos de descanso tranquilo enquanto a pessoa permanece acordada podem ajudar o cérebro a consolidar determinadas informações recém-aprendidas.

Um estudo publicado por pesquisadores da Universidade de Edimburgo analisou a relação entre períodos de descanso acordado e memória em adultos mais velhos. Os resultados indicaram que uma pausa tranquila logo após o aprendizado pode favorecer a retenção de informações ao reduzir a interferência provocada por novos estímulos.

Fazer pausas pode ajudar na rotina e reduzir a sobrecarga de estímulos

Depois de uma atividade que exige atenção, interromper a entrada de novas informações por alguns minutos pode dar ao cérebro uma oportunidade de processar o que acabou de acontecer.

Em vez de manter a atenção continuamente durante horas, a pessoa pode dividir determinadas atividades em blocos menores. Essa estratégia pode ser útil para tarefas que exigem concentração, como leitura, estudo, organização da casa ou trabalho diante do computador. 

O objetivo é evitar que a rotina seja composta exclusivamente por períodos de esforço e estímulos.

Apesar disso, também é importante separar o descanso da inatividade absoluta. Caminhar, observar uma paisagem, tomar café sem olhar o celular ou conversar tranquilamente são exemplos de atividades que podem proporcionar uma interrupção no ritmo acelerado do dia.

Pequenos hábitos podem ajudar a desacelerar a rotina

Para quem percebe que está sempre procurando alguma coisa para fazer nos intervalos, existem pequenas mudanças que podem ajudar. Uma delas é estabelecer períodos do dia sem notificações e evitar consultar o celular automaticamente sempre que surge um momento de espera.

Outra possibilidade é reservar alguns minutos para atividades que não tenham uma finalidade produtiva. Ler algumas páginas de um livro, ficar em uma varanda, observar a rua ou simplesmente permanecer em silêncio são formas simples de criar uma interrupção na sequência de estímulos.

Imagem de capa gerada por inteligência artificial.

Inicio