Panasonic era o bastião das TVs 100% japonesas após saída da Sony; agora, ela se rendeu à China

  • Panasonic acaba de confirmar que está cedendo nome à empresa chinesa Skyworth para fabricação de TVs;

  • Ela continuará existindo como marca de TVs, mas força de fabricação agora não será japonesa

Imagem | Panasonic
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PH Mota

Redator
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Jornalista há 15 anos, teve uma infância analógica cada vez mais conquistada pelos charmes das novas tecnologias. Do videocassete ao streaming, do Windows 3.1 aos celulares cada vez menores.

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Não faz muito tempo, falar de televisores japoneses era falar dos reis do mercado. Não tanto em volume, mas em qualidade. As Trinitron da Sony eram (e ainda são para jogos retrô) lendárias, mas havia as tecnologias de plasma da Sharp, Toshiba ou Panasonic. No entanto, primeiro a Coreia do Sul e agora a China atropelaram as marcas japonesas.

E a Panasonic é a mais recente "vítima". E talvez seja para o melhor.

O caso Panasonic

Em resumo: a Panasonic, que outrora figurava entre os grandes fabricantes japoneses, acaba de anunciar que a empresa chinesa Skyworth será responsável pela produção e venda de suas TVs. No evento de lançamento do catálogo deste ano, representantes da marca japonesa comentaram que a nova parceira "liderará as vendas, o marketing e a logística, enquanto a Panasonic fornecerá expertise e garantia de qualidade".

Em declaração ao FlatpanelsHD, a Panasonic afirmou que a Skyworth cuidará de tudo, mas o produto final ainda terá o nome "Panasonic".

Guinada em direção à China

A empresa vinha terceirizando a produção e as funções de seus modelos de gama média e de entrada há anos, mas agora essa perda de identidade é completa. Com essa mudança, a empresa espera se tornar novamente uma das grandes fabricantes na Europa e nos Estados Unidos. O curioso é que esse anúncio ocorre poucas semanas depois de a Sony terceirizar a produção de suas TVs para a TCL.

É uma mudança simbólica, pois o Japão, que antes liderava o cenário tecnológico, foi gradualmente eclipsado pela Coreia do Sul, Taiwan e, agora, pela China. Tanto a TCL quanto a Skyworth são empresas chinesas e, embora a TCL seja muito mais conhecida, a Skyworth não é exatamente pequena. Com sede em Shenzhen, ela tem aparecido intermitentemente na discussão sobre as principais fabricantes de TVs Android.

Isso significa algo

Em conversa com o FlatpanelsHD, ambas as empresas desenvolverão em conjunto TVs OLED de alta qualidade, e a decisão tem um significado muito claro: é vantajosa para ambas, mas, como no caso da Sony-TCL, uma lucra muito mais do que a outra.

As empresas chinesas investiram pesadamente nos últimos anos em fábricas capazes de produzir um grande número de painéis de grandes dimensões. As televisões são fabricadas a partir do que se conhece como "vidro-mãe", placas que, quanto maiores forem, permitem a produção de mais televisões de tela grande. E se mais televisões puderem ser produzidas de uma só vez, elas poderão ser vendidas a um preço mais baixo.

A TCL possui fábricas de última geração focadas na produção de televisores de tela grande, o que ajuda a explicar por que vendem modelos de 65 e 75 polegadas a preços irrisórios. Portanto, com essas associações, os japoneses esperam que a força dos chineses os ajude a alcançar uma maior penetração no mercado. Mas, é claro, é inegável que os nomes "Sony Bravia" e "Panasonic" são muito mais poderosos do que os de qualquer marca chinesa, e agora são a TCL e a Skyworth que podem explorar isso no mercado.

Lágrimas na chuva

A Panasonic, que outrora fora uma das pioneiras em tecnologia de televisores graças ao plasma, não teve grande destaque num mercado dominado por LG, Samsung e, em larga escala, pelas empresas chinesas.

Juntamente com a Sony, essas empresas formavam o bastião de uma indústria japonesa que já havia visto gigantes como Sharp, Pioneer e Toshiba serem deixadas à própria sorte, para, em alguns casos, serem resgatadas por empresas chinesas (Toshiba pela Hisense) ou taiwanesas (Sharp pela Foxconn). Como se costuma dizer, "erros foram cometidos" e a Panasonic se apegou por muitos anos a uma tecnologia de plasma impressionante, porém muito cara de produzir, um verdadeiro navio que não conseguiu corrigir o rumo quando painéis LCD e OLED melhores começaram a surgir.

Resta esperar para ver o impacto disso em termos de participação de mercado, mas é um golpe duro no Japão. Só com a joint venture entre a Sony e a TCL, estima-se que 50% do mercado japonês será controlado por capital chinês. O último orgulho ao qual podiam se agarrar era a Panasonic.

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