OpenAI enfrenta problema sério na China: modelos locais têm mesmo desempenho da concorrência e são muito mais baratos

  • Startups chinesas oferecem modelos abertos espetaculares com cada vez mais destaque;

  • Principal obstáculo: a adoção desses modelos pelas empresas num contexto geopolítico cada vez mais complexo.

Imagem | Xataka com Mockuuups Studio e Kimi AI
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PH Mota

Redator
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PH Mota

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Jornalista há 15 anos, teve uma infância analógica cada vez mais conquistada pelos charmes das novas tecnologias. Do videocassete ao streaming, do Windows 3.1 aos celulares cada vez menores.

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Às vezes, é difícil acompanhar as inovações que a inteligência artificial nos traz. No entanto, é também um bom sinal que haja uma concorrência acirrada e que, embora pensássemos que empresas como a OpenAI ou o Google tivessem todas as cartas na manga para dominar esse setor de forma incontestável, nem tudo está garantido. O que começou como uma corrida para criar os modelos mais poderosos se transformou numa batalha para oferecer o melhor desempenho ao menor custo possível, e nessa nova competição, a China está na liderança.

Por anos, a discussão em IA se concentrou exclusivamente em qual modelo era mais capaz: quem passava no maior número de testes de benchmark, quem resolvia problemas mais complexos, quem gerava melhores respostas. Mas essa fase está sendo relegada a outra, na qual o preço volta a ser um fator determinante na tomada de decisões. A transição marca um ponto de virada, já que são principalmente as startups chinesas que estão demonstrando uma notável capacidade de produzir modelos poderosos e extraordinariamente econômicos.

Qwen lidera a revolução

Como Kai Williams destaca na newsletter "Understanding AI", o ecossistema de modelos abertos da Alibaba, conhecido como Qwen, tornou-se a família de modelos mais baixada do mundo, de acordo com dados da Hugging Face analisados ​​pelo Projeto ATOM. "O Qwen sozinho está praticamente igualando todo o ecossistema de modelos abertos dos EUA hoje", disse Nathan Lambert, pesquisador do Allen Institute for Artificial Intelligence, na conferência PyTorch.

A empresa chinesa alcançou algo que parecia difícil: criar modelos competitivos em praticamente todos os tamanhos, de pequenos a 235 bilhões de parâmetros, oferecendo opções para qualquer necessidade de negócio.

Adoção real pelos negócios

Além dos números técnicos de seus modelos, os casos de uso também merecem destaque. Em outubro, Brian Chesky, CEO do Airbnb, causou certo alvoroço ao declarar que sua empresa "depende fortemente do modelo Qwen da Alibaba" por ser rápido, barato e poderoso o suficiente. Essa declaração é interessante devido ao contexto, já que estamos falando de uma empresa americana de ponta que prefere usar um modelo chinês aberto, algo poderoso o suficiente para mudar a percepção do setor.

Williams aponta no texto que, além do Airbnb, existem outras empresas que também prefeririam adotar os modelos da Qwen, mas, por questões de imagem ou conformidade regulatória, não podem. Principalmente por serem modelos chineses. Essa pode ser a grande barreira que dificulta a adoção da Qwen e dos demais modelos chineses. Aas startups chinesas têm um grande desafio pela frente para tentar mudar essa percepção num contexto geopolítico cada vez mais complexo.

Kimi K2 foi a surpresa

Se o Qwen domina em volume e versatilidade, o Kimi K2 Thinking se destaca como possivelmente o melhor modelo aberto do mundo em termos de pontuação em testes de benchmark. Como Williams compartilha na newsletter, a Artificial Analysis o classifica atualmente como o modelo mais poderoso que não foi criado pela OpenAI, Google ou Anthropic.

O lançamento do DeepSeek R1 em janeiro foi o catalisador que desencadeou essa onda. Ele ocorreu apenas quatro meses depois que a OpenAI anunciou seu primeiro modelo de raciocínio, o1, mas com uma diferença crucial: o DeepSeek publicou abertamente os parâmetros do modelo.

O alvoroço foi tanto que até mesmo o aplicativo do DeepSeek ultrapassou brevemente o ChatGPT como o aplicativo mais baixado na App Store da iOS, as ações da Nvidia caíram quase 20% dias depois e empresas chinesas correram para integrar o modelo em seus produtos. Por enquanto, ainda aguardamos que a DeepSeek volte a falar sobre seu próximo modelo de raciocínio profundo, do qual pouco se sabe ainda.

Apagando incêndios

Os Estados Unidos não ficaram parados. No que diz respeito a modelos de código aberto, a OpenAI lançou os seus em agosto, a IBM lançou seus modelos Granite 4 em outubro, e Google, Microsoft, Nvidia e o Allen Institute for AI também apresentaram novos modelos "semiabertos" este ano. Mas nenhum atingiu o nível dos principais modelos abertos chineses.

Lambert, que liderou os esforços para impulsionar uma nova geração de modelos abertos americanos, reconhece que o progresso tem sido lento e que a lacuna está aumentando. Tudo indica que 2026 será decisivo para determinar o ritmo de adoção pelas empresas e, sobretudo, para definir a escolha do modelo em um oceano cada vez mais imenso.

Imagem | Xataka com Mockuuups Studio e Kimi AI

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