China já planeja duplicar sua estação espacial exclusiva, em órbita desde 2021

Tiangong deve ganhar novos módulos e ser aberta a astronautas de países aliados

Estação espacial chinesa
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Victor Bianchin

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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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Quando a China ficou de fora do projeto da Estação Espacial Internacional, passou a trabalhar em sua própria instalação do tipo, a Tiangong. A estação começou a ser concebida nos anos 2000 e lançou seu módulo central à órbita baixa em 2021. Outros módulos foram sendo adicionados, pensados para que os astronautas chineses realizem pesquisas no espaço.

Desde então, a Tiangong se tornou um símbolo da ambição do programa espacial chinês. As metas estão sendo cumpridas rapidamente, com testes de foguetes reutilizáveis e planos para construir, junto à Rússia, uma estação lunar.

Ainda assim, há um problema: a Tiangong é consideravelmente menor que a EEI, com uma massa de apenas 100 toneladas, um volume pressurizado de 340 m³ e capacidade para abrigar uma tripulação de três astronautas. A EEI pode abrigar uma tripulação de sete astronautas, tem o triplo da capacidade de volume pressurizado e uma massa de mais de 420 toneladas.

Agora, surge um projeto para ampliar a Tiangong. Como informa a emissora estatal CCTV, a estação passará de uma estrutura em forma de “T”, com três módulos, para uma em forma de cruz, com seis módulos.

Sua massa passará a ser de aproximadamente 180 toneladas e, embora continue sendo menor que a EEI, terá capacidade para igualar o número de astronautas em missão permanente: seis. Se os planos se concretizarem, será adicionado um quarto módulo aos três atuais, que contará com múltiplas portas de acoplamento e permitirá a inclusão de futuras unidades de laboratório, elevando o potencial para seis módulos.

Por enquanto, não há data definida para essa ampliação, mas estima-se que os trabalhos comecem por volta de 2027. Um foguete Long March 5B deverá ser responsável por transportar os materiais.

Exclusividade

A China passou 2025 lançando foguetes — em dezembro, bateu todos os seus recordes de lançamentos em um teste de estresse para seus múltiplos centros de missão. Com os planos de ampliação de sua estação espacial, o país demonstra que está comprometido com essa nova era de pesquisa e exploração, algo que chega justamente quando a Estação Espacial Internacional continua sendo questionada.

A Tiangong tem se mantido como um laboratório exclusivo para pesquisadores chineses, mas, se de repente se tornar a única estação na órbita baixa, a situação se inverterá: a China é quem controlará o acesso de astronautas estrangeiros a uma estação espacial. Em 22 de abril, a Agência Chinesa de Voos Espaciais Tripulados já havia informado que dois pilotos da Força Aérea do Paquistão seriam treinados como astronautas de reserva e que um deles viajaria à Tiangong.

Ele será o primeiro astronauta não chinês a fazê-lo, embora já existam outros astronautas de Hong Kong e Macau que passarão pelo mesmo processo. Isso responde à intenção da China de impulsionar projetos de cooperação com o Escritório das Nações Unidas para Assuntos do Espaço Exterior.

Enquanto o gigante asiático divulga as boas notícias em torno de sua estação, do outro lado do mundo segue programado o processo de desmantelamento da EEI para 2031. O plano é que a NASA utilize um veículo exclusivo da SpaceX para conduzir a EEI até um cemitério espacial em algum ponto do Pacífico.

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


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