Não foi falta de tecnologia: o verdadeiro motivo que impediu a humanidade de voltar à Lua por meio século

Custos e prioridades políticas ajudaram a adiar novas missões lunares

Lançamento da espaçonave Órion.
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Natália P. Martins

Redatora
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Natália P. Martins

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Mais de 50 anos se passaram desde a última missão tripulada à Lua. Por mais que a tecnologia tenha avançado nesse período, a principal razão para a pausa nas viagens espaciais foi política e econômica. A avaliação foi feita por Domenico Vicinanza, professor-assistente de sistemas inteligentes e ciência de dados na Anglia Ruskin University, em artigo publicado no The Conversation.

Segundo Vicinanza, o fim do Programa Apollo, em 1972, marcou o início do hiato de mais de 50 anos sem missões tripuladas ao satélite natural da Terra.

Última missão tripulada ocorreu em 1972

A última vez que astronautas estiveram na Lua foi durante a missão Apollo 17, encerrada em 19 de dezembro de 1972. Ao todo, entre 1969 e 1972, 12 astronautas caminharam na superfície lunar em seis missões.

O comandante da Apollo 17, Eugene A. Cernan, foi a última pessoa a deixar pegadas na Lua. Segundo Vicinanza, o encerramento do programa não ocorreu por falhas técnicas, mas porque os objetivos políticos haviam sido alcançados.

Eugene Astronauta Eugene caminha na superfície lunar na sexta missão Apollo. Foto: Divulgação/NASA

Diminuição no orçamento e mudança de estratégia

De acordo com o professor, a principal razão para o fim das missões lunares foi a redução do financiamento. O orçamento da NASA atingiu o pico em 1966 e começou a cair antes mesmo do primeiro pouso lunar.

A meta original havia sido estabelecida em 1961 pelo presidente John F. Kennedy, que prometeu levar um homem à Lua antes do fim da década.

Após o cumprimento desse objetivo, o interesse político diminuiu, enquanto outros gastos, como a Guerra do Vietnã, passaram a competir por recursos.

Segundo Vicinanza, outro fator decisivo foi a mudança de estratégia da NASA. Em 1972, o presidente Richard Nixon direcionou a agência para o desenvolvimento do Programa do Ônibus Espacial.

Onibus Espacial Lançamento do voo final do programa de ônibus espaciais. Foto: Bill Ingalls/NASA

O foco passou da exploração do espaço profundo para operações em órbita baixa da Terra. O modelo priorizou missões mais frequentes, mas reduziu as iniciativas para voltar à Lua.

Projetos para retorno à Lua foram cancelados

Ao longo das décadas seguintes, diferentes propostas para retomar a exploração lunar foram anunciadas, mas não avançaram. Entre elas, a Iniciativa de Exploração Espacial, anunciada por George H. W. Bush em 1989; e o Programa Constellation, criado durante o governo de George W. Bush e cancelado em 2010 por Barack Obama.

Segundo Vicinanza, os projetos enfrentaram falta de apoio político e custos considerados elevados.

Estação Espacial Internacional concentrou recursos

Durante os anos 1990 e 2000, a prioridade passou a ser a Estação Espacial Internacional (ISS). O projeto envolveu cooperação internacional e demandou grande parte dos recursos da NASA.

Iss Estação Espacial Internacional fotografada por um dos tripulantes da missão STS-105. Foto: Divulgação/NASA

Embora tenha produzido avanços científicos, a estação também reduziu investimentos em missões ao espaço profundo.

Programa Artemis marca o retorno do homem ao espaço profundo

A retomada das missões lunares acontece agora com o Programa Artemis. A missão Artemis II, lançada em 1º de abril de 2026, realizou um sobrevoo da Lua, batendo o recorde de maior distância da Terra com astronautas a bordo da cápsula Órion.

Artemis Astronautas a bordo da cápsula Órion, na missão Artemis II. Foto: Divulgação/NASA

Foto de capa: Joel Kowsky/NASA

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