Lançada há cinco anos, O Gambito da Rainha permanece como a série mais recomendada por psicólogos para entender a saúde mental

Seriado é descrito como “um importante documento cultural para compreender e abordar a saúde mental”

O Gambito da Rainha
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Victor Bianchin

Redator
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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

1983 publicaciones de Victor Bianchin

Existem séries que funcionam porque a trama prende e existem séries que funcionam porque investigam de forma profunda como nossas mentes funcionam. O Gambito da Rainha conseguiu fazer as duas coisas ao mesmo tempo e, de fato, cinco anos após sua estreia na Netflix, pode ostentar um histórico impecável e pouco comum: pesquisadores a citam em revistas acadêmicas de psiquiatria para explicar como os vícios funcionam no mundo real.

Lançada em outubro de 2020 e criada por Scott Frank e Allan Scott a partir do romance homônimo de Walter Tevis publicado em 1983, a minissérie já soma 112,8 milhões de visualizações, segundo dados da plataforma — sendo a minissérie mais assistida da história da Netflix — e venceu o Golden Globe Awards de Melhor Minissérie, além do Primetime Emmy Awards de Melhor Direção em Série Limitada.

Mas o que torna especial esse retrato da vida de Beth Harmon (Anya Taylor-Joy), uma prodígio do xadrez que cresce em um orfanato onde desenvolve dependência de tranquilizantes e, mais tarde, do álcool, é que pesquisadores do The British Journal of Psychiatry a analisaram em 2022 como um estudo de caso clínico.

O que a série faz bem é não transformar as dependências da protagonista em um elemento decorativo ao redor de sua genialidade. Segundo a publicação, existem três gatilhos consistentes no consumo de substâncias por Beth ao longo da série: vergonha, ansiedade e isolamento — os três em cadeia. Uma derrota prejudica sua autoimagem, a ansiedade diante da revanche a paralisa e o consumo surge como mecanismo de evasão; o isolamento provocado por esse consumo agrava os dois primeiros fatores. Uma tempestade perfeita com sintomas muito reconhecíveis para psicólogos.

E a forma como a série resolve esses problemas também faz sentido: outros personagens vão revelando o custo real de continuar bebendo, alguns a ajudam a restaurar parte de sua autoestima abalada e o apoio coletivo de seus rivais permite que ela não recaia. Segundo o estudo, resolver os problemas subjacentes é o que abre caminho para a sobriedade. Tudo isso em uma série que não apenas conta com ambientação e atuações de primeira categoria, mas que também pode ostentar respaldo científico em aspectos que, muitas vezes, são negligenciados na ficção.

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


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