Criada para atrair turistas, a “Paris chinesa” tem até Torre Eiffel

Após muito tempo abandonada, localidade conseguiu se encher de moradores ao baixar os preços

Tianducheng
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Victor Bianchin

Redator
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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

1985 publicaciones de Victor Bianchin

Entre todas aquelas histórias de expansão descontrolada da China ao criar cidades no início dos anos 2000, uma das melhores é a de Tianducheng ou, como muitos a chamam de forma tão cômica quanto pejorativa, a Paris chinesa. Em linhas gerais, era exatamente isso que essa construção carregada de edifícios haussmannianos e até com sua própria Torre Eiffel propunha.

Como uma espécie de parque de diversões francês, a incorporadora por trás do projeto inaugurou a cidade com a intenção de atrair cerca de 10 mil pessoas para morar ali. Seu objetivo não era outro senão aproximar Paris do turismo chinês e, de quebra, aliviar um pouco o crescimento da capital Hangzhou, que estava cada vez mais superlotada. O plano não saiu exatamente como imaginavam.

A Paris da China

Nem as ruas clonadas com edifícios em estilo Haussmann, nem as fontes e parques inspirados nos Jardins de Luxemburgo, nem o fato de ter a segunda maior réplica da Torre Eiffel do mundo, atrás apenas da de Las Vegas. Nada, absolutamente nada, conseguiu fazer com que as pessoas se aventurassem a viver ali. Seis anos após a inauguração, em 2007, apenas 2 mil pessoas moravam em suas ruas e boa parte delas eram trabalhadores empregados em sua expansão.

As ruas estavam desertas, os estabelecimentos vazios e nem a vontade de viver na Paris chinesa nem a intenção de visitá-la para economizar uma viagem à Europa apareceram em lugar nenhum. Simplesmente, as pessoas não se interessavam por aquela ideia, nem como residência nem como atração turística. Ou talvez, quem sabe, o que não lhes interessasse fosse a ideia de ser tão cara quanto a Paris real.

Em 2015, outra incorporadora assumiu o projeto e, com uma generosa redução no custo de vida local, a cidade de Tianducheng começou a se encher. Apenas dois anos após a mudança, a ocupação residencial variava entre 14 mil e 30 mil pessoas e hoje ela é uma fonte de turismo bastante considerável graças aos casais que vão até lá para fazer fotos de casamento.

Vale destacar, de qualquer forma, que o caso da recuperação de Tianducheng é único. Nessa obsessão da China por criar cidades copiadas, como a pequena Londres de Xangai, a Hallstatt austríaca de Guangdong e a Veneza chinesa de Dalian, os resultados quase sempre tenderam mais ao desastre do que ao sucesso, e apenas o turismo mais brega ou as fotos de casamento mais cafonas deram algum sentido a esses projetos.

Este texto foi traduzido/adaptado do site 3D Juegos.


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