Entre milhares de painéis solares nos EUA, uma colônia de corujas encontrou um novo lar, se reproduziu e passou a caçar no local

Uma usina solar nos arredores de Phoenix se tornou o inesperado lar de uma colônia de corujas-buraqueiras

Corujas
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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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Nos últimos anos, a energia solar em larga escala se expandiu rapidamente pelo mundo todo. Também nos EUA. O estado do Arizona, com suas planícies douradas e suas intermináveis horas de sol, é justamente um dos estados onde mais painéis solares estão cobrindo as paisagens desérticas. E isso, às vezes, pode colocar a fauna local em perigo.

No entanto, uma usina solar nos arredores de Phoenix se tornou o inesperado lar de uma colônia de corujas que não apenas conseguiu se adaptar ao ambiente, como também se reproduzir e caçar nele. É uma notícia extraordinária que demonstra que as instalações de energia renovável e a conservação da fauna não precisam ser incompatíveis, mas podem ajudar umas às outras com um planejamento adequado.

Como conta o veículo de comunicação KJZZ, em Phoenix, no Arizona, uma coruja pousa sobre um sensor meteorológico para observar o deserto a seus pés. Ao seu redor, há algo que, algumas décadas atrás, teria parecido estranho naquela paisagem: milhares de painéis solares que se espalham pelo território e abastecem o estado do Arizona com eletricidade.

Trata-se da fazenda solar Sun Stream. Em março de 2025, a empresa responsável por sua gestão, a Longroad Energy, firmou uma parceria com o centro de reabilitação de aves de rapina Wild At Heart para realocar ali uma colônia de corujas-buraqueiras que havia perdido seu habitat natural a cerca de 80 quilômetros dali devido ao desenvolvimento urbano da região.

Ao todo, nove casais de corujas e um macho solitário foram transferidos para esse local. Câmeras com sensores de movimento foram instaladas para que os cientistas e especialistas da organização pudessem observá-las em suas tocas artificiais 24 horas por dia.

Após um ano, parece que deu certo. Greg Clark é o coordenador das corujas-buraqueiras na Wild At Heart e reconhece que os resultados ainda estão sendo estudados, mas tudo indica que a realocação está funcionando bastante bem. Em apenas um mês, todas as fêmeas haviam colocado ovos e, no fim de junho de 2025, 36 filhotes haviam nascido. Três meses depois, 29 deles haviam conseguido deixar o ninho.

Além disso, os biólogos e conservacionistas foram reduzindo gradualmente a quantidade de alimento fornecida nos primeiros dias no novo local, para favorecer a recuperação de sua autonomia. No fim de agosto, os cientistas constataram que isso estava funcionando ao confirmar a presença de restos de insetos em suas fezes, o que demonstrava que as corujas estavam caçando por conta própria. Hoje, a Sun Stream é um exemplo que mostra que, embora seja necessário ter paciência, esse tipo de instalação representa uma oportunidade única de integrar natureza e sustentabilidade.

Uma espécie ameaçada

O oeste dos EUA é um dos grandes cenários naturais do país, mas também uma região submetida a uma intensa transformação e à fragmentação do habitat. A maior parte do solo é atualmente destinada à expansão agrícola e à urbanização, deixando milhares de espécies, como as corujas-buraqueiras, sem um espaço onde possam construir seus ninhos. Essas pequenas aves têm ainda uma particularidade: diferentemente de outras espécies de corujas, costumam viver e se reproduzir em tocas escavadas no solo.

A preocupação da equipe de Clark remonta ao início dos anos 2000, quando decidiram tomar providências e buscar soluções para as corujas. Segundo esse especialista, as instalações solares podem ser interessantes para os animais porque, diferentemente de outros ambientes com vegetação ou árvores, nesse espaço aberto elas conseguem detectar possíveis predadores ou ameaças, mesmo a distância.

Um estudo da Universidade do Arizona revelou recentemente a relação existente entre as áreas adequadas para instalações solares de grande escala e os habitats mais importantes para espécies sensíveis em algumas regiões dos EUA. Por isso, empresas de energia renovável, biólogos e especialistas em conservação devem trabalhar em conjunto e escolher casos como o da Sun Stream como uma inspiração a ser seguida.

Como explica Clark, o desenvolvimento e a conservação da vida selvagem podem coexistir: “se a conservação for integrada a um projeto desde o início, é possível criar lugares onde a vida selvagem ainda tenha uma oportunidade”, afirma.

Imagem | Audubon

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


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