Um tesouro escondido avaliado em mais de US$1 milhão, o equivalente a R$4,8 milhões, passou 10 anos escondido nas Montanhas Rochosas, nos Estados Unidos, enquanto milhares de pessoas tentavam descobrir seu paradeiro. A caça terminou em 2020, quando Jack Stuef, um estudante de medicina de 32 anos, encontrou o baú após passar dois anos seguindo as pistas deixadas pelo colecionador de arte Forrest Fenn.
A aventura, porém, esteve longe de ser apenas uma brincadeira: pelo menos quatro pessoas morreram durante as buscas pelo prêmio. A história por trás da caçada de Fenn ganhou uma produção documental na Netflix, que revisita a busca pelo baú e os acontecimentos que transformaram o tesouro em uma obsessão para milhares de pessoas.
Um poema de 24 versos transformou as Montanhas Rochosas em um mapa do tesouro
Tudo começou quando Forrest Fenn, colecionador de arte e ex-piloto americano, decidiu esconder um baú com ouro, jóias e outros objetos valiosos em algum ponto das Montanhas Rochosas. Mas o colecionador não apenas escondeu o tesouro: ele transformou a descoberta em um caça-tesouro e publicou nove pistas em um poema de 24 versos, incluído em sua autobiografia The Thrill of the Chase, lançada em 2010.
O texto indicava que o tesouro estava escondido nas montanhas ao norte de Santa Fé, mas não entregava diretamente as coordenadas. A partir daí, milhares de pessoas começaram a interpretar os versos e explorar diferentes regiões em busca do prêmio. O conteúdo do baú ajudava a explicar tanta mobilização. Segundo Forrest, havia peças de ouro e rubis, oito esmeraldas, duas safiras do Ceilão, diamantes, duas antigas pedras de jade chinesas e pulseiras de ouro pré-colombiano. O valor total ultrapassava US$1 milhão.
A busca, no entanto, acabou não tendo um final feliz para todos. Ao longo dos anos, pelo menos quatro homens morreram durante expedições relacionadas ao tesouro. Entre eles estavam Randy Bilyeu, de 54 anos, encontrado morto no rio Grande em 2016, o pastor Paris Wallace, de 52, que morreu em uma região acidentada do Novo México em 2017, Jeff Murphy, de 53, encontrado após uma queda no Parque Nacional de Yellowstone, e Eric Ashby, de 31, cujo corpo foi localizado nas águas do rio Arkansas, no Colorado. Mesmo diante dos riscos e da desconfiança de quem acreditava que o tesouro poderia ser apenas uma estratégia para vender livros, a busca continuou. Forrest chegou a estimar que mais de 350 mil pessoas haviam tentado encontrar o baú.
Jack Stuef encontrou o baú e manteve a descoberta em segredo
Depois de dois anos seguindo as pistas, Jack Stuef conseguiu fazer o que milhares de aventureiros não haviam conseguido. Em 2020, aos 32 anos, o estudante de medicina encontrou o baú em uma região selvagem das Montanhas Rochosas, no Wyoming. Na época, Forrest ainda estava vivo e chegou a confirmar publicamente que o tesouro havia sido encontrado. O colecionador afirmou que o baú continuava exatamente onde havia sido escondido mais de dez anos antes e que o poema de seu livro havia levado o vencedor ao local correspondente.
Jack, porém, não queria ser associada à descoberta. Durante meses, sua identidade permaneceu protegida, e Forrest o descreveu apenas como um “homem do leste”. O próprio vencedor explicou posteriormente que preferia permanecer anônimo porque a busca havia levado algumas pessoas a comportamentos extremos, incluindo ameaças, perseguições e invasões de propriedades.
A identidade acabou vindo a público por causa de um processo judicial. Uma mulher havia acusado o responsável por encontrar o tesouro de ter hackeado textos e e-mails de Forrest e entrou na Justiça para reivindicar o prêmio. Jack negou as acusações, mas seu nome acabou aparecendo nos documentos do processo. Depois disso, ele afirmou ter adotado medidas de segurança e se mudado para um prédio com guardas e vários níveis de proteção.
O tesouro também não ficou exposto. O baú permaneceu guardado em um cofre no Novo México enquanto Jack aguardava a venda dos itens. Mesmo depois de encontrar o prêmio, ele decidiu não revelar exatamente onde o baú estava escondido. A preocupação era evitar novos exploradores em uma região que já havia se mostrado perigosa e preservar a vida selvagem do local.
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