Aproximadamente uma quinta parte de todo o ouro já extraído pela humanidade ao longo da história tem um mesmo dono: os bancos centrais. Atraídas por segurança, liquidez e estabilidade, essas instituições transformaram o metal em uma peça-chave de suas reservas. Isso não significa, contudo, que todas adotem a mesma estratégia, acumulem o mesmo volume de metal ou — o que é ainda mais determinante — concedam a ele o mesmo peso em seus cofres.
Na prática, existem diferenças expressivas entre as principais economias do planeta.
A geografia do ouro
O ouro não é apenas um dos metais mais cobiçados do mundo; para as autoridades monetárias, ele funciona como um porto seguro contra crises cambiais e inflacionárias. É por essa razão que governos de todos os continentes mantêm apostas firmes no ativo. O Conselho Mundial do Ouro (World Gold Council ou WGC) calcula que essas entidades detenham em conjunto cerca de 20% de todo o ouro minerado na história da humanidade.
Basta, no entanto, analisar as estatísticas de órgãos como o Fundo Monetário Internacional (FMI) para perceber que nem todos os países dependem do recurso na mesma medida. No encerramento do primeiro quadrimestre de 2026, por exemplo, o contraste entre Estados Unidos e China era gritante: enquanto Washington guardava cerca de 8.133 toneladas (equivalentes a 83% de suas reservas nacionais), o gigante asiático somava 2.313 toneladas, o que representava pouco mais de 9% de seu total.
Existem tantas diferenças assim?
As séries históricas do WGC ajudam a mapear essas distâncias e suas oscilações com o tempo, mas quem quiser enxergar esse panorama com máxima clareza pode recorrer ao gráfico publicado por Bruno Venditti na plataforma "Visual Capitalist".
O levantamento organiza cerca de vinte nações com base em duas métricas principais: o volume líquido de suas reservas de ouro (mensurado em toneladas) e o peso percentual que o metal precioso tem no conjunto dos ativos internacionais de cada banco central — onde também entram moedas estrangeiras, títulos de dívida e bônus governamentais.
Os dados apurados pelo WGC no encerramento do ano passado revelam contrastes impressionantes. Em volume físico sob custódia, os destaques globais são Estados Unidos (8.133 t), Alemanha (3.350 t), Itália (2.451 t), França (2.437 t), Rússia (2.326 t), China (2.306 t) e Suíça (1.039 t). No entanto, o ranking se reorganiza por completo quando avaliamos a representatividade percentual dessas barras nos cofres públicos.
De mais de 80% a zero
Ao observar a proporção do metal no total das reservas, o panorama muda bastante. Os norte-americanos seguem no topo, com o ouro compondo 82% de seus ativos — patamar muito próximo ao da Alemanha e ligeiramente superior ao de França e Itália (ambas com 79%). Na China, contudo, esse índice desaba para 8,6%, patamar idêntico ao do Japão. Na Suíça, a participação também é enxuta, atingindo apenas 13,6%.
Na hora de analisar a lista, contudo, há uma ressalva essencial: no fechamento de 2025, o WGC não dispunha de números completos de todos os países. Faltava, por exemplo, a confirmação exata do peso das 2.326 toneladas da Federação Russa em seu balanço financeiro geral. Outro caso fora da curva é o do Canadá, que há mais de uma década decidiu vender todo o seu estoque oficial para diversificar suas aplicações em outros ativos.
Matéria traduzida de Xataka*
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