Acredita-se que alcançar uma idade avançada depende de uma combinação de fatores, como qualidade de vida, acesso à saúde e condições adequadas de moradia. Por isso, seria fácil imaginar que as cidades com melhores indicadores de desenvolvimento seriam também aquelas com mais pessoas chegando aos 100 anos. Mas os números do Censo 2022 do IBGE mostram um cenário diferente: São Paulo é a cidade brasileira com mais centenários, com 1.761 moradores nessa faixa etária. O número representa um aumento de 82% em relação a 2010 e acontece ao mesmo tempo em que a capital paulista envelhece rapidamente.
São Paulo já tem mais idosos do que crianças de até 14 anos
Os 1.761 paulistanos com 100 anos ou mais não são apenas um retrato de longevidade individual. O número também ajuda a dimensionar uma mudança demográfica maior pela qual passa a capital paulista. Segundo o Censo 2022 do IBGE, pessoas na terceira idade representam 17,7% da população de São Paulo, enquanto crianças de até 14 anos correspondem a 17,1%. Já a parcela de jovens entre 15 e 24 anos é de 13,7%. No Brasil, os idosos representam 15,6% da população.
A quantidade de centenários também cresceu de forma expressiva em pouco mais de uma década. Em 2010, eram 966 pessoas com 100 anos ou mais na cidade. Em 2022, esse número chegou a 1.761, um crescimento de 82%. Mas a pergunta que não quer calar é: o que provocou esse crescimento de centenários? O aumento da longevidade está relacionado a uma série de transformações na saúde, como avanços médicos, campanhas de vacinação e atuação de agentes comunitários de saúde. Mas viver mais não significa necessariamente envelhecer com qualidade, e é nesse ponto que aparecem alguns dos principais desafios para a cidade.
Uma das iniciativas da rede municipal é o Programa Acompanhante de Idosos (PAI), criado em 2008. Atualmente, são 70 equipes que oferecem atendimento domiciliar principalmente a idosos em situação de vulnerabilidade socioeconômica e com pouco suporte social. O programa atende cerca de 8.200 pessoas e oferece auxílio em atividades do cotidiano, exercícios físicos e acompanhamento voltado ao desenvolvimento pessoal.
Longevidade também depende de onde o idoso vive
Avanços na saúde, vacinação e acompanhamento médico ajudam a ampliar a longevidade, mas envelhecer com qualidade também depende de autonomia e suporte adequado
Ter uma população cada vez mais velha coloca outro problema em evidência: não basta aumentar a expectativa de vida se a própria cidade dificulta a vida de quem envelhece. Em São Paulo, a diferença entre regiões mostra como as condições sociais podem interferir nesse processo. Segundo o Mapa da Desigualdade de São Paulo, da Rede Nossa São Paulo, a expectativa de vida chega a 62 anos em Cidade Tiradentes, no extremo leste, enquanto alcança 82 anos no Alto de Pinheiros, na Zona Oeste.
A infraestrutura urbana também passa a ter um papel importante nesse dado. Calçadas bem cuidadas, banheiros públicos, bebedouros e bancos para descansar, por exemplo, facilitam os deslocamentos e permitem que eles permaneçam por mais tempo fora de casa. O problema é que, quando esses recursos não estão disponíveis, atividades simples podem se tornar obstáculos. Uma escada sem alternativa acessível ou uma calçada inadequada pode fazer com que a pessoa deixe de frequentar determinados lugares e, aos poucos, reduza sua circulação pela cidade. Nesse sentido, tornar os espaços mais acessíveis não é apenas uma questão de mobilidade, mas também uma forma de evitar o isolamento social.
Os números mostram que São Paulo está vivendo mais, mas também precisa se adaptar a uma população cada vez mais velha. Garantir autonomia, segurança, acessibilidade e convivência social é essencial para que esses anos a mais sejam acompanhados por qualidade de vida.
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