Experts testaram fones de luxo às cegas e têm um veredito: você está pagando pelo logotipo, não pelo som

Teste colocou produtores musicais frente a frente com modelos premium sem marcas, preços ou recursos visuais, e o resultado virou de cabeça para baixo a hierarquia tradicional do áudio

Crédito de imagem: Xataka Brasil
Sem comentários Facebook Twitter Flipboard E-mail
joao-paes

João Paes

Redator
joao-paes

João Paes

Redator

Escreve sobre tecnologia, games e cultura pop há mais de 10 anos, tendo se interessado por tudo isso desde que abriu o primeiro computador (há muito mais de 10 anos). 

271 publicaciones de João Paes

O que realmente define um bom par de fones de ouvido? Durante anos, a resposta mais óbvia foi “qualidade de som”. Hoje, porém, o mercado vende muito mais do que isso: cancelamento ativo de ruído avançado, design premium, integração com assistentes virtuais, apps cheios de ajustes, baterias gigantes e, claro, marcas que carregam status. Mas o que sobra quando tudo isso é retirado da equação e resta apenas o áudio?

Foi exatamente essa a pergunta que a Wired resolveu responder ao organizar um teste às cegas com seis dos fones over-ear mais celebrados do mercado. Sem ver modelos, sem tocar nos materiais e sem saber preços ou fabricantes, quatro profissionais de áudio — produtores, engenheiros de estúdio e compositores com experiência em gravações comerciais — ouviram apenas o som.

O experimento aconteceu em um estúdio profissional em Londres e reuniu pesos-pesados do setor: Isabel Gracefield, engenheira-chefe do RAK Studios; Ian Lambden, veterano da pós-produção de áudio; Steph Marziano, produtora que já trabalhou com Hayley Williams; e Mike Kintish, compositor premiado com colaborações em grandes nomes do pop. Todos ouviram exatamente a mesma música, “Blinding Lights”, de The Weeknd, via Spotify Premium, com ANC ativado em todos os modelos.

Os fones testados formavam um verdadeiro “time dos sonhos”: Sony WH-1000XM6, Bose QuietComfort Ultra, Apple AirPods Max, Bowers & Wilkins Px7 S3, Nothing Headphone (1) e Soundcore Space One Pro. Os preços variavam de cerca de US$ 200 a quase US$ 550. A expectativa geral? Que os modelos mais caros e tradicionais dominassem o ranking.

Não foi isso que aconteceu.

O maior choque veio no resultado final. O Soundcore Space One Pro, disparado o mais barato do grupo, ficou em primeiro lugar. Em segundo, outro modelo relativamente acessível e de marca jovem: o Nothing Headphone (1). Só então apareceram os AirPods Max, seguidos por Sony, Bose e, na última posição, o luxuoso Bowers & Wilkins.

As reações durante o teste ajudam a explicar o porquê. Muitos dos fones premium foram descritos como “sem graça”, “apagados” ou excessivamente focados em graves, sacrificando médios e vocais. Em alguns casos, houve críticas diretas ao equilíbrio de frequências, com reclamações sobre falta de presença vocal ou sensação de som “fechado”.

Já os vencedores surpreenderam pela experiência emocional. O Soundcore, em especial, foi descrito como “divertido”, “imersivo” e “empolgante”, ainda que tecnicamente não fosse o mais neutro. O Nothing dividiu opiniões, mas foi elogiado por clareza, brilho e uma apresentação que muitos acharam mais honesta do que a de rivais muito mais caros.

Um detalhe curioso surgiu após a revelação das marcas. Alguns especialistas começaram a duvidar do próprio julgamento ao descobrir que haviam criticado fones da Sony, marca com reputação quase intocável no segmento. Outros confessaram ter imaginado que o Soundcore fosse um novo modelo da Beats, o que causou um visível desconforto ao perceberem que aquele havia sido seu favorito.

O teste não pretende ser definitivo. Os próprios organizadores reconhecem limitações claras: apenas uma música, streaming com compressão, tempo curto de avaliação e nenhuma análise de conforto, construção ou durabilidade. Ainda assim, o recado é difícil de ignorar.

Quando o logotipo some e o preço deixa de influenciar expectativas, o que conquista o ouvido nem sempre é o produto mais caro ou prestigiado. No fim, a palavra mais repetida para definir os dois primeiros colocados não foi “precisão”, “fidelidade” ou “referência”. Foi “diversão”.

E isso levanta uma pergunta incômoda para o mercado de áudio premium: quantas vezes você está pagando mais pela marca do que pelo som?



Crédito de imagem: Xataka Brasil

Inicio