Em 2025, um drone abriu um buraco no domo que protege Chernobyl; o conserto vai custar 500 milhões de euros

A infraestrutura que deveria encerrar definitivamente o incidente de 1986 agora enfrenta um novo tipo de risco

Chernobyl
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Victor Bianchin

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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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O gigantesco arco de aço construído sobre o reator 4 de Chernobyl foi concebido como uma solução definitiva para conter o pior acidente nuclear da história por pelo menos cem anos — uma estrutura colossal projetada para isolar o antigo “sarcófago” e ganhar tempo para a humanidade.

Com mais de 100 metros de altura e capaz de abrigar monumentos inteiros em seu interior, esse sistema foi projetado para resistir a condições extremas e permitir o desmantelamento seguro do reator, encapsulando centenas de toneladas de material radioativo que ainda permanecem ativos décadas após o desastre.

Mas tudo mudou em fevereiro de 2025, quando um ataque com drone, em plena madrugada, perfurou essa carapaça aparentemente invulnerável, abrindo uma brecha na estrutura e deixando exposto um sistema que nunca foi projetado para operar em um ambiente de guerra.

Embora não tenha havido vazamentos imediatos nem vítimas, o dano comprometeu funções críticas, especialmente a ventilação que controla a umidade e evita a corrosão, introduzindo um risco silencioso, porém crescente, que pode degradar a estrutura em poucos anos.

O que permanece oculto sob o aço

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Sob o arco danificado permanece um ambiente extremamente instável: restos do reator, toneladas de combustível nuclear e massas fundidas de materiais altamente radioativos que continuam reagindo lentamente.

O antigo “sarcófago”, construído às pressas em 1986, nunca foi estruturalmente confiável e, na prática, depende completamente da nova cobertura para manter o isolamento. Em outras palavras, se esse equilíbrio falhar, o risco não é imediato, mas é potencialmente devastador, com a possibilidade de liberar poeira radioativa que o vento poderia dispersar por toda a Europa.

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Restaurar o sistema não será nem rápido nem simples, já que envolve trabalhar em condições de alta radiação, com limitações rigorosas de tempo e exposição para os operários.

As soluções provisórias mal conseguem conter os danos mais urgentes, enquanto a restauração completa exigirá reconstruir camadas internas altamente especializadas dentro de uma estrutura projetada como um “sanduíche” técnico. Estamos falando de um custo estimado que supera os 500 milhões de euros, uma cifra que reflete tanto a complexidade técnica quanto o ambiente hostil em que os reparos precisam ser realizados.

A guerra chega ao maior risco nuclear da Europa

O incidente não é isolado, mas parte de um contexto em que infraestruturas nucleares se tornaram elementos expostos dentro de um conflito ativo.

Paradoxalmente, a zona de exclusão de Chernobyl, que deveria ser protegida de qualquer perigo, tem sido cenário de operações militares, movimentações de tropas e sobrevoos constantes de mísseis e drones, o que multiplica o risco de novos impactos, sejam acidentais ou intencionais. Nesse cenário, até mesmo uma falha técnica ou um erro de trajetória poderia desencadear consequências de alcance continental.

Como lembra uma reportagem do Financial Times, décadas após o acidente, Chernobyl continua sendo a mesma ameaça latente — uma que exige vigilância constante e cooperação internacional —, e o impacto do drone evidenciou a fragilidade dos sistemas projetados para contê-la.

A infraestrutura que deveria encerrar definitivamente o desastroso capítulo de 1986 agora enfrenta um novo tipo de risco, demonstrando que a segurança nuclear não depende apenas da engenharia, mas também da estabilidade geopolítica (e do bom senso).

Nesse equilíbrio tão delicado, cada fissura não é apenas uma falha estrutural, mas um alerta sobre os limites da nossa capacidade de controlar as consequências das nossas próprias criações.

Imagem | EBRD

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


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