Não é fácil ser mulher em um mundo onde a violência de gênero ainda faz parte da realidade de milhões de pessoas. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 840 milhões de mulheres já sofreram violência física ou sexual ao longo da vida, o equivalente a quase uma em cada três mulheres com 15 anos ou mais. Diante disso, alguns países apresentam condições mais favoráveis à segurança e à igualdade feminina, de acordo com o Índice de Paz e Segurança das Mulheres de 2023/2024, elaborado pelo Georgetown Institute for Women, Peace and Security, da Universidade de Georgetown, nos Estados Unidos. A pesquisa avaliou 177 países com base em indicadores de inclusão, justiça e segurança e colocou a Dinamarca na primeira posição, seguida por Suíça, Suécia, Finlândia e Islândia.
1) Dinamarca lidera ranking com leis igualitárias e amplo acesso à justiça
Com pontuação de 0,932 em uma escala que vai de zero a um, a Dinamarca ocupa o primeiro lugar entre os países mais seguros para as mulheres no levantamento de 2023/2024. O resultado está relacionado ao desempenho do país em diferentes indicadores, especialmente no acesso à justiça e na ausência de discriminação legal.
Um dos destaques é que a legislação dinamarquesa está entre as 14 consideradas totalmente igualitárias em termos de gênero pelo estudo. A posição dinamarquesa também ganha contexto quando observamos os resultados do Índice Global da Paz, que avalia condições gerais de paz e criminalidade. O país está entre aqueles que apresentam bons resultados nos levantamentos internacionais, reforçando seu desempenho em diferentes aspectos relacionados à segurança.
O que ajuda a explicar a posição da Dinamarca:
- Pontuação de 0,932 no Índice de Paz e Segurança das Mulheres;
- Desempenho elevado no acesso à justiça;
- Legislação considerada totalmente igualitária em termos de gênero;
- Ausência de discriminação legal entre os indicadores de melhor desempenho.
2) Suíça combina representação feminina e avanços na igualdade política
Na segunda colocação, a Suíça alcançou 0,928 ponto no índice de segurança feminina. O país também apresenta um bom resultado no Índice Global da Paz, no qual aparece na sexta posição, demonstrando que suas condições de segurança não se limitam à perspectiva de gênero.
Um dos aspectos considerados no levantamento é a presença feminina na política e nos espaços de decisão. A Suíça elegeu sua primeira mulher presidente em 1999 e, desde então, outras sete mulheres ocuparam o cargo. Em 2019, o parlamento também registrou uma participação feminina inédita.
O que ajuda a explicar a posição da Suíça:
- Pontuação de 0,928 no índice;
- Sexta colocação no Índice Global da Paz;
- Crescimento da participação feminina no parlamento;
- Legislação que estabelece metas para ampliar a presença de mulheres em cargos de liderança.
3) Suécia se destaca pela inclusão feminina e pela igualdade de gênero
Países nórdicos aparecem com destaque entre os melhores colocados no ranking global de segurança feminina
A Suécia aparece na terceira posição, com 0,926 pontos. O país nórdico apresenta resultados positivos principalmente nos indicadores de inclusão e justiça, que avaliam as oportunidades oferecidas às mulheres e a igualdade de direitos na sociedade. Outro dado que ajuda a compreender esse cenário vem de uma pesquisa da World Population Review. Em 2024, a Suécia foi apontada como o país com maior proporção de mulheres que se identificam como feministas: 46% das entrevistadas afirmaram adotar essa identificação. Embora essa informação não seja um indicador direto de segurança, ela oferece uma perspectiva sobre a percepção das próprias mulheres em relação à igualdade de gênero no país.
O que ajuda a explicar a posição da Suécia:
- Pontuação de 0,926 no Índice de Paz e Segurança das Mulheres;
- Bom desempenho em inclusão feminina e justiça;
- 46% das mulheres se identificavam como feministas em levantamento de 2024.
4) Finlândia reúne tradição de participação política e igualdade na educação
Na quarta posição, a Finlândia obteve 0,924 pontos. Além dos resultados relacionados à segurança e à igualdade de gênero, o país apresenta um desempenho expressivo na paridade educacional entre homens e mulheres.
A participação feminina na política também tem raízes históricas no território finlandês. Em 1906, o país se tornou o primeiro do mundo a permitir que mulheres participassem do parlamento, um marco importante na ampliação dos direitos políticos femininos. A trajetória ajuda a explicar os indicadores atuais, que consideram não apenas a proteção contra a violência, mas também as condições que permitem às mulheres participar da sociedade em igualdade de oportunidades.
O que ajuda a explicar a posição da Finlândia:
- Pontuação de 0,924 no índice;
- Bom desempenho na paridade de gênero na educação;
- Tradição de participação feminina na política;
- Primeiro país do mundo a permitir a participação de mulheres no parlamento, em 1906.
5) Islândia reúne igualdade de gênero e histórico de liderança feminina
Fechando os cinco primeiros colocados, a Islândia aparece com pontuação de 0,924, empatada com a Finlândia no levantamento de 2023/2024. Apesar de não liderar o ranking específico de segurança feminina, o país ocupa a primeira posição no Índice Global da Paz, que considera aspectos mais amplos de tranquilidade social e segurança.
A igualdade de gênero também é um dos pontos fortes islandeses. De acordo com o Global Gender Gap Report, do Fórum Econômico Mundial, a Islândia ocupa a primeira posição no ranking de igualdade entre homens e mulheres há mais de 15 anos. Foi também o único país a ultrapassar 90% de pontuação nesse levantamento.
O que ajuda a explicar a posição da Islândia:
- Pontuação de 0,924 no Índice de Paz e Segurança das Mulheres;
- Primeiro lugar no Índice Global da Paz;
- Liderança histórica em igualdade de gênero no Global Gender Gap Report;
- Histórico de participação feminina nos principais cargos políticos.
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