Aos 24 anos, Marco Antônio Mariano foi aprovado em Ciência da Computação na Universidade Federal de Catalão (UFCAT), em Goiás. Surdo e com paralisia cerebral, ele obteve 840 pontos na redação do Enem e ingressou na universidade pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu).
A aprovação foi comemorada por familiares, amigos e colegas em Catalão. Para marcar o resultado, o grupo organizou um trote simbólico na Represa Clube do Povo, onde Marco celebrou a entrada na universidade.
Marco já desenvolve projetos voltados à inclusão
A escolha pelo curso está relacionada a um objetivo que ele já tinha antes de chegar ao ensino superior: trabalhar com tecnologia e desenvolver jogos.
"Eu fiquei muito feliz, explodiu uma emoção de felicidade em mim. Meu sonho é desenvolver jogos e trabalhar na área de tecnologia."
Antes de ingressar na universidade, Marco participou da criação da Associação da Comunidade Surda de Catalão, entidade voltada à defesa dos direitos das pessoas com deficiência auditiva.
Marco Antônio foi homenageado na Câmara Municipal de Catalão por sua aprovação na universidade. Foto: Reprodução/Instagram @camaracatalao
Ele também desenvolveu um jogo educativo para ensinar Libras, a Língua Brasileira de Sinais. O projeto foi apresentado na Campus Party, evento de tecnologia realizado no Brasil.
A experiência com o desenvolvimento do jogo contribuiu para aproximá-lo da área que pretende seguir profissionalmente. Para a universidade, o objetivo passou a ser aprofundar os conhecimentos em programação para criar novos projetos.
A intenção de Marco é utilizar o conhecimento também para desenvolver soluções que possam contribuir com a acessibilidade.
Aprovação foi resultado de uma trajetória marcada pela busca por acessibilidade
A relação de Marco com a educação também está ligada à defesa do acesso à comunicação para pessoas surdas. Em entrevista, ele destacou a importância de garantir que crianças surdas tenham contato com Libras e possam desenvolver sua trajetória escolar com os recursos necessários.
"Eu preciso ajudar os surdos a ter a mesma educação que eu tive, que me ajudou a desenvolver, que me ajudou a estar aqui. Eu preciso salvar as crianças surdas que não têm acesso à língua de sinais."
Para ele, a inclusão no ensino não depende apenas da presença do aluno na escola ou na universidade, mas também das condições oferecidas para que ele consiga acompanhar as atividades e se comunicar.
"É muito importante eu ser uma referência para outras pessoas, os surdos, as pessoas com paralisia cerebral e também mostrar pras pessoas do Brasil que elas podem."
"O surdo é capaz desde que ele tenha acesso à comunicação"
Marco também atribui parte importante de sua trajetória ao apoio recebido dentro de casa. Durante a entrevista, ele destacou o papel da família no incentivo aos estudos e à participação social de pessoas com deficiência.
"É muito importante a família estimular, o pai e a mãe sempre presentes, estimulando. A família dos surdos e das pessoas com deficiência precisa estar junto, ajudando, sempre presente nos estudos."
A mãe de Marco, Cléria Martins Lino e Silva, também falou sobre a importância de acompanhar os filhos durante esse processo.
"Não é fácil, mas não é impossível. Continuem com seus filhos, lutem por eles. Dê todo o apoio necessário."
Para Marco, os professores também têm papel fundamental na educação inclusiva. Ele defende que estudantes surdos tenham acesso à comunicação em sua própria língua para que possam desenvolver suas capacidades.
"Os professores também são fundamentais, é muito importante que eles acreditem nos seus alunos. O surdo é capaz desde que ele tenha acesso à comunicação na sua língua."
Imagens de capa: Reprodução/Instagram @marco12030
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