Briga por engenheiros de IA: China oferece salário de R$ 817 mil por ano para profissionais disputados por Anthropic e OpenAI

O gargalo da IA já não é o modelo: são as pessoas que o colocam para funcionar

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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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Um milhão de yuans por ano (cerca de R$ 817 mil). Esse é o salário que as grandes empresas de tecnologia chinesas, entre elas ByteDance, Tencent e Alibaba, estão oferecendo a um perfil técnico muito específico: o engenheiro de implantação em clientes (forward-deployed engineer). Ou seja, alguém que conversa com o cliente para entender seu problema, escolhe as ferramentas de IA adequadas e implementa a solução.

Um dado para contextualizar a oferta: segundo o Escritório Nacional de Estatísticas da China, em 2025, os profissionais técnicos do setor de TI de empresas chinesas de determinado porte ganharam, em média, 275.504 yuans (R$ 224 mil) por ano, enquanto o conjunto de seus funcionários recebeu R$ 86 mil. Ou seja, até 10 vezes menos.

Dois exemplos conhecidos: a Tencent publicou anúncios na plataforma Boss Zhipin procurando engenheiros FDE para sua divisão de IA. Oferece entre 35 mil e 65 mil yuans por mês, com 15 pagamentos anuais, isto é, até 975 mil yuans (R$ 800 mil) por ano. A ByteDance oferece entre 35 mil e 70 mil yuans, também com 15 pagamentos anuais.

Um relatório da Maimai (algo semelhante ao LinkedIn chinês) registrou um crescimento de 1.523% nas buscas por esse perfil nos primeiros sete meses do ano, em comparação ao mesmo período de 2025 — o que, na prática, faz desse perfil técnico de IA o que apresenta o maior crescimento. Enquanto isso, o Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação publicou um comunicado incentivando as empresas a criarem equipes de engenheiros FDE.

Por que isso importa?

Essa disputa revela o novo ponto central do crescimento da IA. Os modelos continuarão sendo aperfeiçoados, mas, como alertou a Apollo Global Management (um dos maiores fundos de investimento e gestores de ativos do mundo) em um relatório divulgado há alguns dias, apesar dos investimentos bilionários e do otimismo, a IA ainda não gerou retorno financeiro nem ganhos de produtividade nas empresas (fora do setor de tecnologia). Em poucas palavras: por enquanto, as únicas empresas que estão ganhando dinheiro com a IA são as big techs que a criaram. Para as demais, não há um retorno claro.

O grande desafio está em levar o que funciona no laboratório para a fábrica. O relatório “The GenAI Divide”, do MIT, publicado em junho de 2025, chegou à conclusão de que apenas 5% das ferramentas de IA empresariais personalizadas chegam à fase de produção e que a maioria dos projetos-piloto não tem impacto mensurável nos resultados financeiros. A Fortune entrevistou seu principal autor, que apontou o problema: a lacuna de aprendizado e a má integração nas empresas. Um engenheiro FDE é o profissional que resolve isso.

Os cursos de FDE estão sendo preparados. Em Xangai, segundo o jornal The Paper, estão considerando até mesmo vincular a formação em FDE a cursos de formação profissional e oferecer cursos de pós-graduação. A Tencent já saiu na frente e lançou o que a empresa chama de “a primeira certificação de FDE do setor”. A ideia é clara: implementar a IA de maneira prática e personalizada.

Embora estejamos falando de empresas de tecnologia chinesas, há quem diga que essa função surgiu na estadunidense Palantir. De fato, os engenheiros FDE estão entre os profissionais mais procurados. Assim, os anúncios de vagas para engenheiro de implantação em clientes nos EUA cresceram 800% desde 2025, segundo dados do Financial Times compilados pela Fast Company. Agora, Google, OpenAI e Anthropic também estão buscando esses profissionais. A Anthropic anunciou um investimento de 100 milhões de dólares para formar 10 mil engenheiros desse tipo até o final de 2027.

Imagem: Xataka com Nano Banana

Texto traduzido e adaptado do portal parceiro Xataka Espanha.


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