Caçador de tesouros saqueia naufrágio, não revela onde guardou o tesouro e passa 10 anos na prisão — agora, está livre para recuperá-lo

Tommy Thompson localizou o maior naufrágio de ouro dos EUA, enganou seus investidores e passou uma década na prisão por manter o silêncio

Lingotes de ouro
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Victor Bianchin

Redator
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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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O nome de Tommy Thompson pode não soar familiar para você. Além de engenheiro oceânico e inventor, ele é um dos maiores caçadores de tesouros do mundo — uma profissão que inevitavelmente nos remete a Indiana Jones e a uma vida de cinema. E, bem, Thompson realmente tem uma história digna disso: há poucos dias, saiu da prisão após cumprir 10 anos de pena. O crime? Não revelar onde estão 500 moedas de ouro de um famoso navio naufragado (entre outras coisas).

Em 1988, Thompson e sua equipe, o Columbus-America Discovery Group, encontraram os restos do navio a vapor SS Central America a uma profundidade de 8.000 pés no Atlântico, a cerca de 200 milhas a leste de Charleston, na Carolina do Sul. Para isso, utilizaram a teoria de busca bayesiana e um veículo operado remotamente. O SS Central America era conhecido como o “Navio do Ouro” por um motivo: a enorme quantidade de ouro que transportava. Quanto exatamente? Boa pergunta.

Para dar um pouco de contexto, era a época da corrida do ouro e a missão do navio era transportar esse valioso metal da recém-criada Casa da Moeda de São Francisco para reforçar as reservas dos bancos do leste dos Estados Unidos. Nunca conseguiu.

Em 3 de setembro de 1857, enquanto operava na rota do Panamá, afundou na costa da Carolina do Sul ao ser atingido por um furacão de categoria 2. A bordo estavam 477 passageiros e passageiras, 101 tripulantes e muito, muito ouro. Esse naufrágio foi um dos fatores que desencadearam o pânico de 1857.

As contas não fecham

Gary Kinder passou uma década estudando o caso para escrever Ship of Gold, onde detalha que o navio transportava 3 toneladas de ouro e possivelmente uma quantidade semelhante pertencente aos passageiros (não declarada e, portanto, incalculável), além de rumores sobre outras 15 toneladas em uma carga secreta do exército. No entanto, um documento do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, tirado da confidencialidade em 1971, informa que essa carga oficial era de 11,2 toneladas de ouro (sem incluir ouro pessoal nem secreto).

A revista estadunidense de história naval, a fonte mais próxima da descoberta, não apresenta um valor em peso, mas em dinheiro: o ouro destinado aos bancos de Nova York equivalia a 40 milhões de dólares da época. De forma geral, também é bastante difundida a cifra de 30.000 libras de ouro (cerca de 14.000 kg).

Mas uma coisa é o que havia no navio e outra é o que foi encontrado — ou o que disseram ter encontrado. Bob Evans, cientista-chefe da expedição (e de outra realizada posteriormente, em 2014, pela Odyssey), afirmou ao Seattle Times que, em 1988, foram encontradas duas toneladas de ouro.

O conflito legal

Boa parte desse ouro foi vendida depois a uma empresa comercializadora por cerca de 50 milhões de dólares, como relata a Reuters. No entanto, segundo os 161 investidores que financiaram 12,7 milhões de dólares para a expedição, eles nunca viram os lucros. Assim, em 2005, entraram com uma ação judicial por descumprimento de contrato e ocultação de ativos.

Thompson primeiro se isolou na Flórida, depois desapareceu e passou a viver com uma identidade falsa. Por fim, foi detido em 2015. O caso chegou a um impasse: o juiz determinou que ele revelasse o paradeiro de 500 moedas de ouro desaparecidas, mas o engenheiro alegou não saber onde elas estão. Foi declarado em desacato à corte, motivo pelo qual cumpriu uma década na prisão.

Há poucos dias, Tommy Thompson, agora com 73 anos, recuperou sua liberdade porque, segundo o juiz, mantê-lo preso não está trazendo nenhum resultado. A CBS News traz a opinião de especialistas em direito civil que explicam que é muito incomum que uma condenação por desacato civil se prolongue por tanto tempo. Ele não revelou onde estão as moedas nem quitou a dívida com seus investidores.

Enquanto isso, o tesouro do SS Central America continua alimentando o mito: em 2022, um dos maiores lingotes do navio, com 866 onças (quase 27 kg), foi leiloado e alcançou o preço de 2,16 milhões de dólares.

Imagem | Olga ga e Zlaťáky.cz (Unsplash)

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


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