Gilberto Arruda Rodrigues concluiu um dos principais objetivos de sua vida aos 47 anos: formar-se em Medicina pela Universidade de Brasília (UnB). Antes de chegar à universidade, ele trabalhou como cobrador de ônibus no Distrito Federal durante seis anos e precisou enfrentar um grave acidente que comprometeu os movimentos das pernas.
Acidente aconteceu durante treinamento para motorista
Gilberto era morador de Ceilândia e começou a trabalhar no transporte coletivo aos 18 anos, seguindo a profissão do pai, que era motorista de ônibus.
Durante um treinamento para assumir a função de motorista no ano de 2000, Gilberto foi atropelado por um ônibus conduzido por outro funcionário. O acidente o deixou em coma e comprometeu os movimentos das pernas.
Em meio à recuperação, Gilberto passou aproximadamente um ano sem andar e teve que interromper os planos de continuar no transporte coletivo.
O interesse pela área da saúde surgiu durante o tratamento. A medicina não fazia parte dos planos do ex-cobrador, mas o contato com médicos, enfermeiros e outros profissionais fez a curso se tornar uma possibilidade de carreira para os próximos anos.
Gilberto retomou os estudos após o acidente
A retomada dos estudos começou alguns anos depois. Em 2013, Gilberto concluiu o curso técnico em Eletromecânica no Instituto Federal de Brasília.
Depois da formação técnica, ele chegou a ingressar no curso de Engenharia Eletrônica da Universidade Tecnológica Federal do Paraná. A experiência, porém, foi curta. Gilberto deixou a graduação e retornou ao Distrito Federal, onde passou a se preparar para o vestibular de Medicina.
Para recuperar conteúdos e estudar para o Enem, recorreu a cursos on-line. Parte da preparação foi feita ao lado de uma das filhas, que também estudava para provas.
Gilberto realizou a prova em 2017, mas não encontrou seu nome na primeira lista de convocados. Por incentivo da cunhada, decidiu continuar a consultar a relação de candidatos nas próximas chamadas de aprovação.
Ex-cobrador concluiu curso de medicina aos 47 anos
Na nova chamada, Gilberto encontrou seu nome entre os aprovados e iniciou a graduação em 2018. Durante esse período, contou com auxílios da universidade para despesas como alimentação, moradia e compra de equipamentos necessários para as atividades acadêmicas.
A formação também foi marcada por dificuldades relacionadas ao racismo. Gilberto relata ter enfrentado situações de racismo estrutural e manifestações veladas de preconceito ao longo da trajetória.
"Não foi uma jornada fácil, passei por muitas situações complicadas, racismo estrutural, um racismo mais velado, não tão explícito. Mas uma coisa eu agradeço, tive professores que me apoiaram, alguns amigos me apoiaram, a equipe da enfermagem, os técnicos", contou Gilberto.
Após seis anos de graduação, Gilberto recebeu o diploma de Medicina da UnB. A trajetória também passou a influenciar os três filhos, Raquel, Radassa e Rafael. Radassa, inclusive, considera seguir a área da saúde e afirma ter o sonho de se tornar médica legista.
Imagens: Reprodução/Instagram @gilberto.unb.oficial
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