Tendências do dia

A Amazon ultrapassou a marca de US$ 3 trilhões em valor de mercado, e Jeff Bezos fez o que sabe fazer de melhor: vender 15 milhões de ações

  • A Amazon ultrapassou a marca de US$ 3,07 trilhões em valor de mercado após resultados recordes impulsionados pela AWS;

  • Enquanto Wall Street celebrava o marco, Jeff Bezos iniciou a venda de ações no valor de aproximadamente US$ 4,1 bilhões

A Amazon ultrapassou a marca de US$ 3 trilhões em valor de mercado, e Jeff Bezos fez o que sabe fazer de melhor: vender 15 milhões de ações
Sem comentários Facebook Twitter Flipboard E-mail
fabricio-mainenti

Fabrício Mainenti

Redator

A última segunda-feira foi um dia memorável para a Amazon. As ações da empresa dispararam, e ela ultrapassou a marca de US$ 3,07 trilhões (cerca de R$ 15,5 trilhões) em valor de mercado pela primeira vez. Com isso, a gigante do comércio eletrônico ingressou no clube exclusivo de empresas cujo valor supera o de muitas nações.

Jeff Bezos — que começou vendendo livros pelo correio — mais uma vez vendeu ações com a mesma naturalidade de quem saca dinheiro em um caixa eletrônico, justamente no momento em que sua empresa atingia um marco histórico no preço de suas ações. O valor total da venda chega a quase US$ 4,1 bilhões (cerca de R$ 20,7 bilhões).

Foi um dia para ficar na história de Wall Street

A disparada das ações da Amazon não ocorreu isoladamente; foi impulsionada por resultados sólidos no segundo trimestre, período em que a empresa registrou lucros de US$ 62,647 bilhões (cerca de R$ 317,1 bilhões) — um aumento de 245% em relação ao ano anterior — sobre uma receita de US$ 200,606 bilhões (cerca de R$ 1,015 trilhão).

O principal motor desse forte aumento na receita foi a AWS, a divisão de nuvem da empresa, que vem apresentando um crescimento vigoroso nos últimos anos fiscais. Durante a teleconferência de resultados, Andy Jassy — que assumiu o cargo de CEO após Jeff Bezos deixar o comando da empresa que fundou — explicou: "A AWS está em plena expansão, crescendo 36,7% em relação ao ano anterior no segundo trimestre".

Bezos vende 15 milhões de ações

Com as ações sendo negociadas perto de suas máximas históricas, Bezos protocolou na SEC (a comissão de valores mobiliários dos EUA) a documentação necessária para vender até 15 milhões de ações por meio do Morgan Stanley

Conforme observado pela Barron's, esse lote consiste em "ações do fundador" — papéis que ele recebeu quando criou a empresa, em 1994. Com base no preço de fechamento de segunda-feira, a transação está avaliada em aproximadamente US$ 4,07 bilhões (cerca de R$ 20,6 bilhões).

É uma quantia significativa, embora, para a Amazon, represente apenas 0,14% do total de 10,743 bilhões de ações em circulação da empresa. A primeira etapa da venda já foi realizada. Segundo a Bloomberg, Bezos concretizou sua primeira venda do ano, gerando US$ 350 milhões (cerca de R$ 1,772 bilhão) em recursos. O restante ocorrerá nos próximos dias, à medida que o mercado absorve a venda.

Uso de informações privilegiadas? Não; tudo foi previamente planejado

O momento escolhido — coincidindo com uma forte alta no preço das ações e a venda, pelo fundador, de 15 milhões de papéis — pode dar a impressão de que Bezos está vendendo no instante mais oportuno. No entanto, as leis contra fraudes no mercado de valores mobiliários exigem o cumprimento de regras específicas criadas justamente para evitar essa situação.

Grandes acionistas — como fundadores que detêm participações expressivas em grandes empresas — precisam definir seus planos de venda com meses de antecedência. Ao contrário do investidor comum, eles não podem simplesmente vender por impulso. Isso impede que saibam exatamente como o preço da ação se comportará no momento em que assinam suas ordens de venda.

Esse mecanismo é conhecido como Regra 10b5-1 e é regulamentado pela SEC (a comissão de valores mobiliários dos EUA) desde a reforma de 2022. Ele permite que pessoas com acesso a informações privilegiadas (insiders) negociem suas próprias ações sem levantar suspeitas de uso de informações não públicas.

De fato, conforme consta no documento enviado à SEC, o plano que Bezos está executando atualmente foi assinado em 14 de novembro de 2025 — meses antes do anúncio dos fortes resultados financeiros.

Miami é um paraíso — e não apenas por causa do clima

Bezos fez algo semelhante em 2024, quando a Amazon também batia recordes na bolsa de valores. Naquela ocasião, ele vendeu ações avaliadas em quase US$ 4,93 bilhões (cerca de R$ 24,961 bilhões). O padrão se repete sempre que as ações atingem sua máxima histórica.

Há outro fator que explica por que Bezos vende tanto — e ele vai além do preço das ações. Desde que trocou Seattle por Miami, ele evitou um imposto que não existe na Flórida. O estado de Washington cobra um imposto de 7% sobre ganhos de capital superiores a US$ 1 milhão (cerca de R$ 5,063 milhões), com uma sobretaxa adicional para valores mais elevados.

A Flórida, por outro lado, não possui esse tributo. A cada venda de ações multimilionária realizada desde a mudança para Miami, Bezos economiza centenas de milhões de dólares em impostos. Essa é mais uma razão pela qual milionários têm escolhido Miami ao deixarem a Califórnia.

Imagem de capa | Flickr (iafastro)

Inicio