Uma fatura de quase 150.000 € por 16 computadores e um servidor gerando revolta? Este é o caso bizarro que virou assunto, envolvendo uma compra colossal de equipamentos totalmente defasados e levantando sérias dúvidas sobre a gestão de um ex-prefeito.
Quando a política e a informática se encontram sem um intermediário técnico, o resultado pode custar caro. Essa foi a dura lição que uma pequena cidade das Filipinas aprendeu da pior forma: uma história inacreditável de dinheiro público gasto em equipamentos de TI a preços tão desproporcionais que se tornaram suspeitos, denunciada pela prefeita recém-empossada!
Uma fatura de tirar o fôlego
Tudo começou com uma publicação nas redes sociais que caiu como uma verdadeira bomba. Sally A. Lopez, a nova prefeita de um município filipino, descobriu logo ao assumir o cargo uma cobrança para lá de indigesta: 10 milhões de pesos filipinos (o equivalente a cerca de R$ 840 mil) por um "pacote de servidor e sistemas". A despesa havia sido aprovada e liquidada por seu antecessor, Darwin Bajada. Inicialmente, o caso foi noticiado de forma confusa pela imprensa local, com veículos apontando que o valor astronômico correspondia a um único PC. A governante, no entanto, tratou de esclarecer a situação: a quantia cobria, na verdade, 16 computadores com periféricos e apenas um servidor.
Em vez de acalmar a opinião pública, a explicação só colocou mais lenha na fogueira. Questionada sobre a compra, a nova líder municipal não poupou críticas, conforme relatado em uma publicação no Facebook:
“O valor é realmente muito alto, e os equipamentos nem sequer foram testados para ver se funcionavam ou não, mas o ex-prefeito Bajada efetuou o pagamento imediatamente.”
Um pagamento à vista, por uma quantia milionária e sem o menor cuidado de conferir se o maquinário ao menos ligava. Motivo mais do que suficiente para revoltar qualquer contribuinte. A dúvida imediata é: o que esses computadores tinham por dentro para justificar um custo tão surreal?
Componentes ultrapassados a preço de ouro
Foi aí que o episódio descambou para o absurdo completo. Ao analisar os detalhes, o suposto lote dos 16 PCs estava a anos-luz de qualquer configuração avançada. Eram máquinas equipadas com processadores Intel de 11ª geração — uma arquitetura lançada em 2021 e que já estava completamente defasada na época da compra...
Para piorar o cenário, tudo vinha montado com peças genéricas, teclados e mouses de entrada e monitores da obscura marca Fonudar.
Especialistas, como o Tom's Hardware resolveram colocar tudo na ponta do lápis. Tomando como base os preços das peças em lojas virtuais como a Newegg, o valor real de mercado de cada uma dessas configurações (gabinete, monitor, teclado, mouse e até um nobreak) girava em torno de US$ 775.
Para as 16 máquinas, o gasto total deveria ter ficado perto de US$ 12.400. Mesmo levando em conta o servidor — este sim equipado com um Intel Core i9 de 14ª geração, 32 GB de RAM e 10 TB de armazenamento —, a conta não fecha de jeito nenhum. O cálculo é rápido e estarrecedor: alguém embolsou uma margem de lucro que beira o inacreditável: quase 1.300%!
A comunidade tech ao resgate
Diante do que tem toda a cara de um desperdício escandaloso de verba pública, o setor de tecnologia local teve uma reação admirável. Sensibilizado com a situação, Carlo Ople, CEO da Unbox — um respeitado portal e canal de varejo tech nas Filipinas —, resolveu agir. Em sua página no Facebook, ele anunciou a doação de um pacote assistencial de equipamentos para ajudar a prefeitura a se estruturar de verdade, conclamando outras empresas a participarem da iniciativa.
O escândalo escancarou a necessidade vital de gestores públicos se cercarem de especialistas antes de assinar grandes contratos de tecnologia. Uma postura que, embora não devolva o dinheiro aos cofres municipais, pelo menos prova que a solidariedade pode surgir das situações mais absurdas.
Matéria traduzida de JeuxVideo*
Ver 0 Comentários