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Não é amor, é limerência: a obsessão emocional que o seu cérebro confunde com estar apaixonado

Nas primeiras fases do amor, ficamos todos um pouco obcecados; a limerência surge quando o vício sai do controle

Limerência
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Victor Bianchin

Redator
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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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O amor, às vezes, acaba se transformando em obsessão. E isso não é apenas a letra de uma música pegajosa, também é a definição de limerência, uma condição psicológica pela qual esse vício que sentimos nas primeiras fases da paixão se transforma praticamente em um transtorno obsessivo-compulsivo, dificultando o dia a dia da pessoa que sofre com ele e, em muitos casos, também da pessoa que é objeto de seus desejos.

A limerência não é reconhecida como transtorno no DSM-5 nem em qualquer outro manual de diagnóstico psiquiátrico. É mais um conceito psicológico, cunhado nos anos 1970 pela psicóloga Dorothy Tennov, que faz referência a uma série de padrões de comportamento e pensamento. No entanto, é verdade que, em nível biológico, foram detectados fatores em comum com alguns transtornos, como o transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) e os vícios.

Com o TOC, a limerência tem em comum a diminuição dos níveis de serotonina, embora seja verdade que isso foi constatado em um estudo com poucos participantes. A coincidência com os vícios é muito mais fundamentada, já que entra em jogo a dopamina, cujos níveis se elevam em resposta ao contato com um estímulo específico. Nos vícios, pode ser o álcool ou o jogo. Na limerência, é a presença ou o contato com a pessoa que desperta o desejo.

Os sintomas

Já vimos que a limerência poderia ter certa semelhança bioquímica com o TOC, mas também há uma semelhança muito mais clara em nível de sintomas. As pessoas que sofrem com ela ficam obcecadas pelo objeto de seus desejos e têm continuamente pensamentos intrusivos com o outro.

Por sua vez, esses pensamentos desencadeiam compulsões, como procurá-lo continuamente nas redes sociais, verificar o celular em busca de suas respostas ou imaginar maneiras de coincidir ou conversar. Também é comum idealizar essa pessoa e desenvolver um grande medo da rejeição. A obsessão chega a níveis que dificultam que quem sofre de limerência consiga trabalhar ou estudar normalmente. Ela pode até complicar o desenvolvimento normal de seus hobbies e tarefas cotidianas. Além disso, nos piores casos, pode acabar levando a pessoa a assediar a outra.

Por outro lado, esses sintomas mentais podem somatizar e se transformar em uma sintomatologia mais física, caracterizada por taquicardia e palpitações, tremores, dilatação das pupilas, sudorese, vermelhidão facial, problemas de apetite, gagueira e agitação.

Não é amor, mas parece

Nas fases iniciais da paixão, a dopamina também desempenha um papel essencial. Do ponto de vista evolutivo, é bom que nos apeguemos a outra pessoa com quem, fisicamente, poderíamos procriar. É nisso que se baseia a perpetuação da espécie. Por isso, quando conhecemos esse possível amor, nosso cérebro libera uma descarga de dopamina a cada aproximação. É o hormônio que gerencia os sistemas de recompensa, de modo que nos gera prazer e a necessidade de voltar a ver essa pessoa (para ter uma nova dose de dopamina).

Até aqui, tudo normal. Mas, assim como não há nenhum problema em sentir prazer ao comer um pedaço de chocolate, se precisamos comer chocolate continuamente e praticamente não conseguimos pensar em outra coisa, estamos diante de um problema de vício.

Com a limerência, acontece o mesmo. Chega um ponto em que já deveríamos passar para outras fases mais tranquilas do amor, caso ele seja correspondido, ou seguir em frente, se não houver reciprocidade. Em vez disso, quem sofre de limerência não vira a página e continua viciado. A limerência pode durar semanas, mas normalmente é mais longa, com episódios que duram meses e até anos.

Fatores de risco para a limerência

Pessoas com baixa autoestima ou que passaram por algum relacionamento traumático costumam ter maior propensão a sofrer de limerência. As redes sociais também não ajudam, pois colocam as compulsões ao alcance de um clique. Por isso, quem passa muito tempo usando as redes sociais também pode ter mais chances de desencadear essa obsessão.

A parte positiva é que é possível combater a limerência. Às vezes, basta trabalhar a autoestima e estabelecer limites, especialmente dentro das redes sociais. Mas isso é algo que nem sempre a própria pessoa consegue fazer. Por isso, pode ser necessário buscar ajuda psicológica. No consultório, ela é tratada de forma semelhante a outros vícios ou casos de TOC, por meio de terapia cognitivo-comportamental e ferramentas como a exposição com prevenção de resposta, que permite habituar os pacientes àquilo que lhes causa medo (a rejeição da pessoa desejada, neste caso) por meio de exposições controladas.

Em um caso clássico de TOC, isso pode ser, por exemplo, tocar na maçaneta de uma porta e não lavar as mãos depois, para comprovar que nada acontece. Para a limerência, poderia ser usar o celular, mas não verificar as mensagens dessa pessoa ou entrar nas redes sociais sem acessar o perfil dela. Assim, pouco a pouco, essa obsessão deve ir se dissipando.

Imagens | Magnific

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


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