Uma pesquisa internacional liderada pela Universidade de Leeds, publicada na revista Nature Communications em janeiro de 2026, revelou que o segredo para uma recuperação florestal ultrarrápida está escondido no subsolo. O estudo demonstrou que as florestas tropicais podem se regenerar até duas vezes mais rápido após o desmatamento se o solo contiver níveis adequados de nitrogênio.
O experimento é considerado o mais longo e abrangente já realizado sobre o tema, monitorando 76 parcelas florestais na América Central ao longo de duas décadas. Os cientistas compararam áreas que receberam diferentes nutrientes e descobriram que, nos primeiros dez anos de vida da floresta, o nitrogênio foi o fator decisivo para acelerar o crescimento das árvores.
O impacto direto no combate às mudanças climáticas
A descoberta tem implicações profundas para a conservação ambiental e as metas climáticas globais. Florestas que crescem mais rápido removem carbono da atmosfera com maior eficiência, funcionando como sumidouros potentes de gases de efeito estufa.
Estima-se que a escassez de nitrogênio em florestas jovens ao redor do mundo possa impedir o armazenamento de quase 0,7 bilhão de toneladas de CO2 anualmente.
Esse déficit de armazenamento equivale a cerca de dois anos de todas as emissões de gases de efeito estufa de um país como o Reino Unido.
Estratégias inteligentes para o reflorestamento
Apesar dos resultados positivos com o uso de fertilizantes no experimento, os pesquisadores alertam que a solução não é espalhar produtos químicos nas matas. O uso artificial de nitrogênio pode gerar emissões de óxido nitroso, um gás de efeito estufa ainda mais prejudicial que o CO2.
Em vez disso, a equipe sugere métodos que trabalham em harmonia com a ecologia local:
Incentivar o cultivo de plantas da família do feijão, que possuem a capacidade natural de "fixar" o nitrogênio do ar no solo através de suas raízes.
Identificar e priorizar a restauração em áreas que já apresentam solos ricos em nutrientes, maximizando o retorno do investimento em projetos de reflorestamento.
Essa abordagem estratégica torna-se ainda mais relevante após a COP 30 no Brasil, fornecendo dados científicos sólidos para iniciativas como o Fundo Florestas Tropicais para Sempre. Ao entender a química do solo, governos e ONGs podem planejar restaurações que não apenas devolvem o verde à paisagem, mas combatem o aquecimento global com o dobro da eficiência.
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