Novos estudos provam que cães foram domesticados 5 mil anos antes do que se pensava, antes de o homem inventar a agricultura

Análise de DNA de filhotes que viveram há 15.800 anos mudou o que se sabia sobre a domesticação

Cães
Sem comentários Facebook Twitter Flipboard E-mail
victor-bianchin

Victor Bianchin

Redator
victor-bianchin

Victor Bianchin

Redator

Victor Bianchin é jornalista.

1826 publicaciones de Victor Bianchin

Para muitos, os cães são como um membro da família, já que o vínculo que se cria ultrapassa muitas amizades com outros humanos. E não é para menos, pois convivemos com eles há milênios — mas a origem exata dessa relação na história sempre esteve envolta em debate científico. 

A visão mais clássica apontava que a domesticação dos animais era um subproduto do Neolítico (entre 10.000 e 2.200 a.C.), já que foi nesse período que nós nos estabelecemos, inventamos a agricultura e, de quebra, domesticamos os animais. Mas isso mudou completamente com dois novos estudos publicados na revista Nature. 

O primeiro deles analisou o DNA de filhotes que viveram há 15.800 anos no sítio arqueológico de Pınarbaşı, na atual Turquia. Ali, foram encontrados os restos de três filhotes, mas o mais fascinante não é apenas a idade, e sim os hábitos. A análise química realizada revela que esses animais tinham uma dieta surpreendentemente semelhante à dos humanos com quem conviviam, incluindo uma forte base de peixe. Além disso, foram enterrados seguindo rituais humanos — um tipo de tratamento póstumo que demonstra um profundo vínculo emocional.

Essa descoberta não apenas antecede a domesticação canina em pelo menos 5.000 anos em relação aos registros genéticos anteriores, como também demonstra que nossa aliança com os lobos se formou muito antes de inventarmos a agricultura: os genomas analisados confirmam que esses cães descendem de uma linhagem de lobos antigos que formou uma aliança estreita com humanos que ainda eram estritamente caçadores-coletores.

A descoberta é, sem dúvida, um triunfo da paleogenética, já que, durante anos, os cientistas dependiam da forma dos ossos para distinguir entre um lobo e um cão primitivo — um método com muitas limitações. Agora, porém, a ciência passou a analisar o material genético presente nas células para eliminar qualquer dúvida.

Os filhotes turcos não são um caso isolado, já que o estudo da Nature demonstra que, no Paleolítico Superior Tardio, os cães já haviam se espalhado rapidamente por toda a Eurásia ocidental. Nesse caso, a equipe também analisou restos encontrados na caverna de Gough’s Cave, no Reino Unido.

Ali, identificaram outro cão domesticado de 14.300 anos, cuja mandíbula apresentava perfurações, sugerindo novamente práticas rituais. O mais interessante é que, apesar da enorme distância geográfica que separa a Turquia da Inglaterra, os genomas de ambos os animais apresentam fortes semelhanças genéticas, confirmando que pertenciam a uma mesma grande população de cães paleolíticos.

Outro estudo

Em paralelo, um segundo trabalho buscou ampliar o panorama ao examinar os restos de 200 cães europeus com mais de 14.000 anos, conseguindo confirmar a presença de outro cão primitivo em Kesslerloch (Suíça), datado de 14.200 anos.

Essa segunda equipe demonstrou que as linhagens desses primeiros cães paleolíticos não se extinguiram; pelo contrário, suas assinaturas genéticas sobreviveram e estão presentes nos cães modernos que hoje dormem em nossos sofás.

Imagens | Road Ahead

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


Inicio