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Influenciador acusa fraudes científicas na China e provoca terremoto nas pesquisas do país

Quantidade em vez de qualidade

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Vika Rosa

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Vika Rosa

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Jornalista com mais de 5 anos de experiência, cobrindo os mais diversos temas. Apaixonada por ciência, tecnologia e games.

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Um pesquisador que abandonou a carreira acadêmica tradicional para se tornar criador de conteúdo está abalando a comunidade científica chinesa. Com vídeos publicados nas redes sociais, Geng Hongwei, conhecido como "Classmate Geng", revelou supostas fraudes em estudos de algumas das universidades mais prestigiadas da China, desencadeando investigações, demissões e um amplo debate sobre a integridade da produção científica do país.

Vídeos apontaram manipulação de dados em pesquisas

O caso começou em abril de 2026, quando Geng analisou um estudo sobre câncer publicado na revista Nature por pesquisadores ligados à Universidade Tongji, em Xangai.

Segundo ele, gráficos e conjuntos de dados apresentavam sinais claros de manipulação, incluindo sequências numéricas consideradas improváveis para experimentos científicos. O vídeo rapidamente viralizou, acumulando milhões de visualizações e chamando a atenção tanto da comunidade científica quanto das autoridades.

Depois disso, o influenciador passou a divulgar novos casos envolvendo outros pesquisadores renomados e instituições de ensino.

O site da Nature também postou a notícia, deixando claro os pontos do influenciador.

Investigações levaram à queda de dirigentes

As denúncias tiveram consequências concretas. Pelo menos três universidades chinesas abriram investigações internas após a repercussão dos vídeos:

  • Universidade Tongji;
  • Universidade Nankai;
  • Universidade Sun Yat-sen.

As apurações identificaram irregularidades em pesquisas e resultaram na remoção de três diretores de departamentos de ciências da vida, embora eles tenham permanecido nas instituições em cargos inferiores.

Pressão por publicações é apontada como causa

Há anos pesquisadores discutem como o sistema acadêmico chinês incentiva a publicação em grande volume, muitas vezes vinculando promoções, financiamento e até benefícios financeiros ao número de artigos científicos produzidos.

Segundo o próprio Geng, essa pressão acaba favorecendo práticas inadequadas em parte da comunidade científica.

O cientista Rao Yi, uma das vozes mais conhecidas da pesquisa chinesa, chegou a afirmar que o país poderia deter dois "recordes mundiais": o crescimento acelerado da produção científica e os casos de má conduta acadêmica.

Geng afirma que não descobriu sozinho todos os casos. Muitas das suspeitas já haviam sido publicadas anteriormente no PubPeer, plataforma internacional onde pesquisadores analisam artigos científicos de forma crítica e frequentemente anônima. No entanto, essas discussões tinham pouca repercussão dentro da China.

Segundo ele, seu trabalho foi transformar essas denúncias técnicas em conteúdos acessíveis ao público geral.

Governo demonstrou apoio, mas com limites

Inicialmente, a repercussão foi vista de forma positiva por parte das autoridades. A agência estatal Xinhua chegou a entrevistar Geng, sinalizando apoio à discussão sobre integridade científica.

Nos meses seguintes, porém, plataformas chinesas reduziram a distribuição de seus novos vídeos. O influenciador afirmou que recebeu sinais de que deveria voltar a produzir conteúdos mais amplos sobre ciência, em vez de continuar focado exclusivamente em denúncias de fraude.

Embora fraudes acadêmicas ocorram em diversos países, especialistas apontam que o rápido crescimento da pesquisa científica chinesa, aliado aos incentivos por produtividade, criou um ambiente em que a quantidade de publicações muitas vezes recebeu mais atenção do que a qualidade.

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