O flagrante inédito de um buraco negro gigante engolindo uma estrela no espaço

O brilho da estrela destruída revelou um buraco negro que estava escondido onde ninguém esperava

ruptura de maré, que ocorre quando uma estrela passa perto de um buraco negro supermassivo.
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Laura Vieira

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Laura Vieira

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Jornalista recém-formada, com experiência no Tribunal de Justiça, Alerj, jornal O Dia e como redatora em sites sobre pets e gastronomia. Gosta de ler, assistir filmes e séries e já passou boas horas construindo casas no The Sims.

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Um buraco negro supermassivo foi observado destruindo e engolindo uma estrela em um evento raro registrado a cerca de 600 milhões de anos-luz da Terra. O fenômeno, conhecido como evento de ruptura por maré (TDE, em inglês), foi identificado por uma equipe internacional de astrônomos e descrito em um estudo publicado na revista científica The Astrophysical Journal Letters. O que torna a descoberta inédita é que o buraco negro não está no centro da sua galáxia, onde geralmente costumam ser encontrados, mas vagando por uma região afastada. A observação foi feita com dados de telescópios como o Neil Gehrels Swift Observatory, da NASA, além de outras missões espaciais e observatórios terrestres.

Pela primeira vez, astrônomos flagraram um buraco negro "errante" destruindo uma estrela longe do centro de uma galáxia

Embora os eventos de ruptura por maré já sejam conhecidos pela astronomia, este, em específico, surpreendeu os pesquisadores por acontecer em um lugar onde ninguém esperava. Normalmente, buracos negros supermassivos permanecem no núcleo das galáxias, onde a gravidade concentra estrelas, gás e poeira. Desta vez, porém, o clarão surgiu bem distante dessa região central.

O evento recebeu a identificação AT2024tvd e permitiu aos pesquisadores localizar um buraco negro "errante", ou seja, um objeto que se desloca pela galáxia ao invés de permanecer em seu centro. Segundo os autores do estudo publicado, trata-se do primeiro evento desse tipo detectado por levantamentos ópticos do céu, abrindo uma nova forma de encontrar buracos negros que, até então, permaneciam escondidos no Universo.

Quando a estrela passou perto demais, a intensa gravidade do buraco negro começou a esticá-la em um processo conhecido informalmente como "espaguetificação". Aos poucos, ela foi completamente despedaçada, formando um disco de material extremamente quente ao redor do buraco negro. Esse material passou a emitir radiação em diferentes comprimentos de onda, do ultravioleta aos raios X e às ondas de rádio, permitindo que diversos telescópios acompanhassem o fenômeno. Veja o registro:

A descoberta pode ajudar a encontrar novos buracos negros que permanecem escondidos

Além de revelar uma cena impressionante no espaço, a observação pode mudar a forma como a comunidade científica procura buracos negros supermassivos. Isso porque o fenômeno demonstrou que esses objetos podem permanecer ocultos por milhões de anos e só denunciar sua presença quando destroem uma estrela que passa perto demais. No caso do AT2024tvd, o brilho produzido pela destruição da estrela foi o que ajudou a revelar a presença desse buraco negro afastado do centro da galáxia. Os pesquisadores acreditam que muitos outros objetos semelhantes possam existir, mas permaneçam “invisíveis” por não estarem ativos ou por nunca terem sido observados durante um evento de ruptura estelar.

Uma das hipóteses levantadas para explicar sua posição incomum é que ele tenha sido deslocado após a fusão entre duas galáxias ou até seja remanescente de uma galáxia menor incorporada por outra maior. Independentemente da origem, a descoberta é importante para a astronomia porque amplia o conhecimento sobre a evolução das galáxias e sugere que esses "buracos negros errantes" podem ser mais comuns do que se imaginava.


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