Eles compartilham quase todo o DNA humano, vivem em sociedades lideradas por fêmeas e evitam a violência

Pesquisa mostra que primatas próximos dos humanos respondem a intrusos com cooperação, não violência

Família de bonabos. Créditos: ShutterStock
Sem comentários Facebook Twitter Flipboard E-mail
laura-vieira

Laura Vieira

Redatora
laura-vieira

Laura Vieira

Redatora

Jornalista recém-formada, com experiência no Tribunal de Justiça, Alerj, jornal O Dia e como redatora em sites sobre pets e gastronomia. Gosta de ler, assistir filmes e séries e já passou boas horas construindo casas no The Sims.

401 publicaciones de Laura Vieira

Os bonobos, grandes primatas que vivem na República Democrática do Congo, são conhecidos por algo raro no reino animal: eles não se matam entre si. Diferentemente de chimpanzés e até de humanos, eles evitam conflitos letais e priorizam a cooperação. Agora, um estudo publicado na revista científica PLOS ONE mostra que, mesmo diante de sinais de possíveis intrusos em seu território, os bonobos não recorrem à agressão, mas fortalecem discretamente seus vínculos sociais. A pesquisa foi conduzida por uma equipe internacional liderada pela Universidade de Kyoto e observou grupos de bonobos em cativeiro em cinco instituições espalhadas por quatro países.

 Cooperação, não violência: por que os bonobos seguiram um caminho evolutivo diferente dos chimpanzés

Os bonobos, de nome científico Pan paniscus, são bem mais próximos de nós do que você imagina: compartilham cerca de 98,7% do DNA com os humanos e são considerados, ao lado dos chimpanzés, nossos parentes vivos mais próximos. Mesmo assim, essa espécie de primata seguiu um caminho evolutivo bem diferente dos humanos e chimpanzés. Isso porque suas sociedades são predominantemente lideradas por fêmeas, com foco em cooperação, tolerância e resolução de tensões por meio de interações sociais, como comportamentos sexuais usados para resolver conflitos e fortalecer alianças.

Se você nunca viu um bonobos de perto, pode achar ele muito parecido com os chimpanzés, mas existem diferenças notáveis entre eles. Fisicamente, os bonobos são mais altos que os chimpanzés, têm rostos escuros, lábios rosados e expressões faciais marcantes. Socialmente, vivem em grupos altamente conectados e a comunicação desempenha papel central na manutenção da estabilidade do grupo. Na prática, a sobrevivência dos bonobos depende menos da força e mais da qualidade dos laços que constroem entre si. Essa característica torna a espécie diferente do que observada em humanos e chimpanzés, que costumam reagir a grupos externos com hostilidade e violência organizada.

O estudo investigou como bonobos reagem à presença de grupos externos sem recorrer à agressividade

Para entender como os bonobos lidam com possíveis ameaças externas, os pesquisadores observaram oito grupos em cativeiro e reproduziram gravações de vocalizações de bonobos desconhecidos, simulando a presença de outro grupo nas proximidades. A ideia era testar o chamado “efeito do inimigo comum”, um gatilho psicológico e social onde pessoas ou grupos, como os humanos e chimpanzés, se unem e cooperam mais intensamente quando confrontados com uma ameaça.

O resultado demonstrou que, ao ouvirem os sons de outros grupos, os bonobos ficaram mais alertas. Eles se sentaram mais eretos, descansaram menos e apresentaram aumento moderado de comportamentos afiliativos, como a catação mútua. No entanto, não houve crescimento da agressividade nem mudanças significativas na proximidade física entre os indivíduos. Em outras palavras, eles perceberam a possível ameaça, mas responderam reforçando conexões sociais, não se preparando para atacar.

Segundo os autores do estudo, esse padrão de comportamento da espécie sugere que a tendência de unir o grupo diante de sinais externos pode ser um traço antigo da linhagem evolutiva compartilhada por humanos, chimpanzés e bonobos, surgido antes da separação dessas espécies, há milhões de anos. A diferença está na intensidade, pois enquanto chimpanzés reagem com forte coesão acompanhada de agressividade, os bonobos demonstram uma versão mais branda e socialmente orientada desse mesmo impulso.

Inicio