Cientistas descobrem que vírus devastador nos EUA está se espalhando há pelo menos 20 anos, mas estava escondido de modo muito discreto

Ele só foi identificado em 2017

Vírus
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Vika Rosa

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Vika Rosa

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Jornalista com mais de 5 anos de experiência, cobrindo os mais diversos temas. Apaixonada por ciência, tecnologia e games.


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Uma reviravolta na ciência agrícola revelou que o vírus do nanismo foliar do algodão (CLRDV), considerado até então um invasor recente nas plantações dos Estados Unidos, na verdade está presente no país há quase duas décadas. Pesquisadores do Serviço de Pesquisa Agrícola do USDA e da Universidade Cornell descobriram que o patógeno infecta plantações silenciosamente desde, pelo menos, 2006.

A descoberta, publicada na revista Plant Disease em janeiro de 2026, foi possível graças ao uso de ferramentas modernas de bioinformática para reanalisar amostras e dados genéticos arquivados. 

O vírus só havia sido oficialmente identificado em 2017, o que levou a comunidade científica a acreditar que ele era uma ameaça nova. No entanto, os novos dados confirmam sua presença no Mississippi em 2006 e na Louisiana em 2015.

O papel da mineração de dados na agricultura

A pesquisa utilizou uma técnica conhecida como "mineração de dados" em bancos de dados públicos de sequenciamento genético. Ao cruzar informações antigas com o genoma conhecido do vírus, a equipe mapeou uma cronologia de disseminação muito mais longa e abrangente do que se supunha.

Um dos achados mais curiosos ocorreu na Califórnia. Os cientistas encontraram traços do vírus no trato digestivo de uma vaca que participava de um estudo acadêmico há anos. Embora o animal não tenha sido infectado, a descoberta prova que o gado consumiu ração vegetal contaminada, evidenciando que o vírus já circulava pelo estado muito antes de sua detecção oficial nos campos de algodão em 2023.

Um mistério de longa data resolvido?

As novas evidências trazem força a uma teoria antes controversa: a de que o vírus do nanismo foliar pode estar por trás de uma condição misteriosa conhecida como "murcha bronzeada", que intriga produtores de algodão há anos. Se essa ligação for confirmada, o vírus pode ser o culpado por perdas históricas de safras que antes eram atribuídas a causas desconhecidas.

Para os agricultores, os resultados servem como um alerta de que o perigo pode estar oculto bem debaixo de seus olhos. De acordo com a Dra. Michelle Heck, do USDA, entender por que o vírus permaneceu invisível por tanto tempo é o primeiro passo para desenvolver estratégias de manejo eficazes e proteger a produção têxtil do país.

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